Spelling suggestions: "subject:"deoria literária"" "subject:"ateoria literária""
151 |
Será a autobiografia uma poética da modernidade? : uma leitura comparada entre Ayaan Hirsi Ali e Gioconda BelliBrasil, Patrícia Ribeiro January 2011 (has links)
Considerada um gênero menor, a literatura confessional foi, por muito tempo, excluída dos estudos acadêmicos. Porém, na última década o mercado editorial abriu-se sensivelmente para estas obras. Este trabalho procura analisar sob a luz da literatura comparada as autobiografias de Gioconda Belli, poetisa nicaraguense e da política holandesa-somali Ayaan Hirsi Ali, e encontrar na narrativa autobiográfica entrecruzamentos com a modernidade. As narrativas autobiográficas despontam com uma alternativa de situar o sujeito no mundo, um sujeito de certa forma descentrado e que pontua a experiência pessoal como uma alternativa de reconstrução de sua identidade e de reconstruir este mundo. / Por mucho tiempo se consideró a la literatura confesional como un género menor y se la excluyó de los estudios académicos. Sin embargo, en la última década, ocurrió una gran apertura del mercado editorial a estas obras. Esta tesis de maestría busca analizar, bajo la luz de la literatura comparada, las autobiografías de Gioconda Belli, poetisa nicaragüense, y de la política holandesa-somalí Ayaan Hirsi Ali. Asimismo, intenta encontrar en la narrativa autobiográfica un entrecruzamiento con la modernidad. Las narrativas autobiográficas despuntan como una alternativa de situar el sujeto en el mundo, un sujeto sin centro y que puntúa la experiencia personal como una alternativa de reconstrucción de su identidad y reconstrucción del mundo.
|
152 |
Sem título, à Hilda HilstAlexandrini, Camila January 2013 (has links)
Cette dissertation commence avec les questions et les inquiétudes qui émergent de la lecture de l’oeuvre de Hila Hilst et aussi d'un désir théorique qui traverse mon chemin académique. Quand je mets les textes de l'auteur face au concept de la dispersion de Maurice Blanchot, je n'ai pas l'intention de m'enfermer dans une analyse littéraire dépliée en ses genres, ici ou ailleurs. Où va Hilda Hilst ? Où va la théorie littéraire? À son disparition, comme Blanchot dit en réponse à la question: “Où va la littérature?" Dans ce sens je m'inquiète de m’éloigner du vouloir-saisir des théories, pour que les mots de Hilst apparaissent dans l'état de devenir poétique, comme en fait ils le sont. Alors, les choix que j'ai faits des textes littéraires de Hilst ont suivi deux critères : le plaisir de la lecture et le désir de la dispersion. D’ailleurs je me sers de la possibilité de la pluralité de l'objet littéraire dans la postmodernité pour apporter aux textes des réflexions qui surgissent pas seulement de la littérature mais aussi comme de possibles dépliements de ces textes dans le théâtre et dans les arts plastiques. De cette façon, par l'intersection des théories, étant elles surtout la théorie littéraire et la théorie théâtrale, je cherche d'autres voies pour la compréhension des textes de Hilda Hilst, bien comme de l'objet de la littérature. Sous l'inclination du critique littéraire Roland Barthes, mon écriture est construite à travers les notions d'écriture et de fragment. C'est en raison d'une envie de déplacement que la disposition de ces éléments dans un ensemble devient possible. De l'immensité au geste, la littérature d'Hilst s'échappe d'une représentation et est conduite à ce que je comprends par théâtralité. Ainsi le déplacement est aperçu au long d'un parcours instable et inachevé d'une analyse littéraire et y compris d'un corps qui se promène pour d'autres langages, où il est possible de se retrouver au bord de ce chemin Walter Benjamin. Le « je » qui traverse mon écriture n'es pas effacé, puisque pour que je devienne une autre il est nécessaire détendre ce « je » à travers des langages qui le constituent. Parmi les divers faits et gestes de la littérature comparée, rien ne m'intéresse autant que les traces d'une liberté qui est là offerte au domaine théorique de la littérature, même devant beaucoup d'impasses. La liberté qui est ici assumée dans son écriture et dans son responsabilité. / Esta dissertação parte dos questionamentos e das inquietudes que surgem da leitura da obra de Hilda Hilst e de um pulsar teórico que transpassa minha trajetória acadêmica. Uma vez que coloco os textos da autora diante do conceito de dispersão de Maurice Blanchot, não intento me delimitar a uma análise literária desdobrada em seus gêneros, nesse ou naquele lugar. Para onde vai Hilda Hilst? Para onde vai a teoria literária? Ao seu desaparecimento, como diz Blanchot em resposta à pergunta: “Para onde vai a literatura?” Nesse sentido, preocupo-me em distanciar-me do querer-agarrar das teorias, para que as palavras de Hilst apareçam em estado de devir poético, como de fato elas são. Sendo assim, as escolhas que fiz dos textos literários de Hilst levaram em conta dois critérios: o prazer na leitura e o desejo de dispersão. Além disso, utilizo-me da possibilidade de pluralidade do objeto literário na pós-modernidade para trazer ao texto reflexões que surgem não só da literatura, mas também de seus possíveis desdobramentos no teatro e nas artes plásticas. De tal modo, através do entrecruzamento de teorias, sendo elas, principalmente, a literária e a teatral, busco outras vias à compreensão dos textos literários da autora, bem como do objeto da literatura. Sob o viés da crítica literária de Roland Barthes, minha escrita é construída por meio dos conceitos de escritura e fragmento. É devido a um anseio de deslocamento que a disposição desses elementos em conjunto torna-se possível. Da imensidão ao gesto, a literatura hilstiana escapa de uma representação e é conduzida ao que entendo por teatralidade. Assim, o deslocamento é percebido no percurso instável e inconcluso de uma análise literária e, inclusive, de um corpo que passeia por outras linguagens, onde Walter Benjamin aparece à margem desse caminho. O eu que atravessa minha escrita não é obliterado, já que, para tornar-me outra, é necessário distender esse eu através das linguagens que o constituem. Entre os diversos fazeres da literatura comparada, nada me interessa tanto quanto os rastros de uma liberdade que ali é disposta ao teórico da literatura, mesmo que diante de tantos impasses. Liberdade que é aqui assumida em sua escrita e também em sua responsabilidade.
|
153 |
Formas inacabadas: a questão da romancização em textos de Clarice Lispector e Tennessee WilliamsPontes, Newton de Castro 04 February 2010 (has links)
Made available in DSpace on 2015-09-25T12:19:30Z (GMT). No. of bitstreams: 1
Newton de Castro Pontes.pdf: 799491 bytes, checksum: ad3dc915bb4adc44a16fd38f0b703dc1 (MD5)
Previous issue date: 2010-02-04 / Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior / This paper considers the feasibility of applying the concepts of unfinished forms and romancization (proposed by Mikhail Bakhtin) to two literary forms (the modern short story and [modern] drama in one act), as well to verify the usefulness of the concept to the analysis of works of modern authors that are framed in these forms - in our case, the short stories, Onde estivestes de noite and Seco estudo de cavalos , by Clarice Lispector, and the oneact plays Talk to me like the rain and let me listen and The lady of larkspur lotion by Tennessee Williams. We tried thus problematizing the theories about the short story most used by the critical fortune (especially those by Poe, Cortázar and Piglia), arguing their applicability in a modern short story, while we verified the particular structure of the one-act play, considering its development within the dramatic genre and its relationship with the short story. Finally, we intend to establish the contribution of Clarice Lispector and Tennessee Williams in the questioning of traditional forms of short story and drama. / Este trabalho busca considerar a viabilidade da aplicação das noções de formas inacabadas e romancização (propostas por Mikhail Bakhtin) a duas formas literárias (o conto literário moderno e o drama [moderno] em um ato), assim como de verificar a utilidade do conceito à análise de obras de autores modernos que estejam enquadradas nestas formas no nosso caso, os contos Onde estivestes de noite e Seco estudo de cavalos , de Clarice Lispector, e as peças em um ato Fala comigo doce como a chuva [ Talk to me like the rain and let me listen ] e A dama de Bergamota [ The lady of larkspur lotion ], de Tennessee Williams. Tentamos, assim, problematizar as teorias do conto mais aceitas pela fortuna crítica (em especial as de Poe, Cortázar e Piglia), argüindo sua aplicabilidade na forma moderna do conto, ao mesmo tempo em que verificamos as particularidades estruturais do drama em um ato, considerando seu desenvolvimento no seio do gênero dramático e suas relações com a narrativa curta. Por fim, é nossa intenção estabelecer a contribuição de Clarice Lispector e de Tennessee Williams no questionamento das formas tradicionais do conto e do drama.
|
154 |
O poético e o político: últimas palavras de Paul Valéry / The poetic and the political: last words of Paul ValéryFabio Roberto Lucas 07 May 2018 (has links)
A tese se dedica ao estudo das relações entre o poético e o político na escritura de Paul Valéry entre 1940 e 1945, anos arrasados pela segunda guerra e também os últimos da vida do escritor. O período estudado começa, assim, no verão de 1940, quando a França perde a batalha contra os alemães, Paris é ocupada pelos nazistas e Valéry, abrigado no norte do país, põe-se a escrever o terceiro Fausto que ele há tempos desejava compor. A pesquisa se estende até maio de 1945, pleno apogeu da Libération Française, quando o escritor publica em jornal gaulista (aquelas que [não] deveriam ser) as Ultima Verba do vencedor do conflito, e termina o poema em prosa LAnge depois de duas décadas de trabalho sobre esse texto. Seguindo a escritura diária dos cahiers de Valéry e as notas do curso de poïética ministrado pelo poeta no Collége de France naqueles anos, a tese busca apreender como as estratégias poéticas das obras analisadas Ultima Verba, LAnge e Mon Faust são concebidas para enfrentar os acontecimentos esmagadores daquele período. Com efeito, elas modulam recursos sensíveis, significativos e formais do ato poético, pondo em contradicção as forças heterogêneas do discurso e sua dicção, da voz e do pensamento (lógos e foné), ser e convenção, estabelecendo uma implicação recíproca do poético e do político: o poeta como político profundo, entre as majorités do som e do sentido. Essa implicação põe em jogo a autonomia e a soberania da linguagem poética, os modos de circulação do discurso numa sociedade democrática e o gesto do poeta frente às aporias do processo de escrita. Desse modo, procura-se menos revelar a política de suas escolhas (as vias que o escritor abre ou fecha; ainda que isso seja parte do problema, não é o principal) do que pensar na política de sua poética, perceptível na modulação das diferentes maneiras de ver que compõem o poema, uma modulação que cala ou interrompe, escuta ou prolonga suas hesitações. Assim, veremos que os dilemas da fiducia política e da ciência moderna elaborados nos brouillons do ciclo fáustico e nas notas do curso de poïética reencontram a hesitação prolongada, o inacabamento e infinitização contínua do ato poético, sempre em curso de driblar injunções fiduciárias e técnicas, num momento em que a Europa moderna tinha mais do que nunca carência de repensar os pactos, moedas, projetos e o próprio para, [vencedor, nesse] momento em curso na literatura e na comunidade. / The thesis aims to study the relations between the poetic and the political in the writings of Paul Valéry from 1940 to 1945, a time crushed by the war and the last years of the poets life. This study covers a period that goes from the summer of 1940 during the last weeks of the Battle of France, when Paris was occupied by the germans and the poet, sheltered in the countrys north, starts to write the third Faust that for a long time he wished to write up to may 1945, in the pinnacle of the Libération Française, when the writer publishes in a gaullist journal (those that should [not] be) the ultima verba of the wars winner, and completes, after two decades of writing labour, the prose poem LAnge. By following the the cahiers daily writings and the Collège de Frances course in poetics lesson notes of those years, we seek to understand the strategies conceived to confront the periods crushing events, specially in the analysed texts Ultima Verba, LAnge and Mon Faust. In fact, they modulate the aesthetic infinitys sensible, significant and formal resources in the contradiction of the heterogeneous forces of the discourse and its diction (its elocution), voice and thought (logos and phone), being and convention, thus establishing a reciprocal implication of the poetic and the political: the poet as a profound politician who works between the majorities of sound and sense. This implication reflects upon the poetic languages autonomy and sovereignty, the discourse circulation modes in a democratic society and the poets act in relation to the writing process issues. Thus, this gesture would be put in place less for revealing the politics in Valérys choices (the paths he opens or closes; this is also part of the problem, but it is not the main question) than for thinking about his poetics own politics, one deployed in the modulation of the different manners of seeing implicated in the poem, a modulation that silents or stops, listens or prolongs their hesitations. Then, we shall see that the fiducias politics and modern science dilemmas elaborated by the faustic cycle drafts and by the course in poetics lesson notes find theirselves in the company of the verse as prolonged hesitation, of the poetics act incompleteness and infinitization, always in the process of dribbling the fiduciary and technical injunctions, in a time when modern Europe had more than ever to rethink the pacts, currencies, projects and even the stop, [winner, in this] moment that had currency in literature and community.
|
155 |
Entre as ruínas da contranarrativa: a representação da realidade em Homem em queda, de Don DeLillo / Among the ruins of the counternarrative: the representation of reality in Falling Man, by Don DeLilloAnderson Vitorino Pinheiro 21 September 2015 (has links)
Esta dissertação investiga os modos de representação da realidade no romance Homem em queda, do norte-americano Don DeLillo. O método utilizado é a análise interpretativa de trechos chaves do romance que possam representar a arquitetura de toda a narrativa, ao modo de Erich Auerbach. Escritos do teórico Fredric Jameson acerca do inconsciente político e da questão temporal na pós-modernidade se somam a teorias de Karl Marx (alienação) e Guy Debord (sociedade do espetáculo) para auxiliar a leitura sócio-histórica do romance. / This master\'s thesis investigates the representation of reality in the novel Falling Man, by Don DeLillo. The method is the interpretative analysis of key excerpts of the novel which may represent the whole architecture of the narrative, following the steps of Erich Auerbach. Writings by Fredric Jameson about the political unconscious and temporality in postmodernity as the theories of Karl Marx (alienation) and Guy Debord (society of the spectacle) helped us leading a socio-historical reading of the novel.
|
156 |
Uma dimensão trágica do poder e da justiça: Shakespeare e Maquiavel / A tragic dimension of power and justice: Shakespeare and MachiavelliRodrigo Augusto Suzuki Dias Cintra 10 May 2012 (has links)
O presente trabalho tem por intuito, por meio de uma perspectiva interdisciplinar, analisar de que maneira, no início da Era Moderna, podemos encontrar uma dimensão trágica na relação entre poder e justiça nas obras de dois autores fundamentais para a história do pensamento político e da arte: Maquiavel e Shakespeare. Por meio de uma leitura cruzada dos dois autores, defende a hipótese de que existem semelhanças desconcertantes entre eles e, ao mesmo tempo, diferenças importantes que imprimem maneiras diametralmente opostas de conceber a relação entre poder e justiça. O trabalho sustenta que Maquiavel pode ser lido como um autor trágico, principalmente devido a uma interpretação analítica do Príncipe, e que, para este autor, poder e justiça estão inevitavelmente separados. Ao mesmo tempo, argumenta que, para Shakespeare, nas chamadas grandes tragédias Hamlet, Otelo, Rei Lear e Macbeth , poder e justiça estão indissociavelmente unidos e que é justamente esta ligação que possibilita a legitimidade política. A partir de uma investigação do sentido do trágico, procura, ao desenvolver as dimensões jurídicas, políticas e artísticas envolvidas nesta forma de expressão, mostrar filosoficamente os contornos de uma teoria da justiça e do poder na modernidade e visualizar as condições de possibilidade de uma compreensão desta problemática em nosso próprio tempo. / The research has the purpose of, by means of multidisciplinary approach, analyzing how, in the beginning of Modern Age, we can find a tragic dimension between power and justice in the two main authors work of arts to History of Law and Political Thinking and art: Machiavelli and Shakespeare. By means of cross-referencing these two authors, the assumption that there are confusing similarities between them is defended and, in the same way, important differences that demonstrate diametrically opposing views of conceiving the relationship between power and justice. In this paper, it is defended that Machiavelli can be considered as a tragic author, mainly, because of The Princes analytical interpretation, and that, for this author, power and justice are inevitably separated. Simultaneously, it is argued that, for Shakespeare, in the big tragedies Hamlet, Otelo, King Lear and Macbeth , Power and justice are inseparably united, and this union makes possible the political legitimacy. From an investigation in the tragic sense, the search, when developing legal, political and artistic dimensions involved in this way, showing philosophically the power and justice theory characteristics in the modernity and to observe the conditions of possibility of understanding this problematic in our own time.
|
157 |
As vozes sem boca no manuscrito do cenógrafo Machado de Assis: Esaú e Jacob / Voices without mouth in the scenographer Machado de Assis manuscript: Esau and JacobLuciana Antonini Schoeps 29 November 2016 (has links)
Esta tese dedicase ao estudo enunciativo das rasuras presentes no manuscrito de Esaú e Jacob, conservado na Academia Brasileira de Letras, por meio do qual se pretende problematizar os mecanismos de construção do sentido da obra e da ironia em Machado de Assis. Para tanto, partese da análise do binômio aqui denominado de o manuscrito da ficção e a ficção do manuscrito. No primeiro eixo, apresento uma descrição críticogenética do manuscrito do referido romance e de alguns dos demais manuscritos do autor contendo marcas de algum trabalho de escrita para, em seguida, lançarme na análise enunciativa das rasuras operadas no manuscrito, observando de que maneira ocorre uma problemática construção da voz narrativa e do agenciamento discursivo das vozes, apoiandome mormente nas teorias de Émile Benveniste e de Jacqueline AuthierRevuz. No segundo eixo, na esteira sobretudo das análises de Abel Barros Baptista e de JoséLuis Diaz, dedicome ao estudo do autor ficcional, buscando observar em que medida tal recurso romanesco delineia uma complexa imagem autoral e define uma postura enunciativa que inviabiliza a percepção do autor como garantia do sentido do romance e, consequentemente, da ironia, desestabilizando a significação de forma ampla, mas fazendo com que seja recolocada a questão do corpo e da voz da literatura, além de permitir uma possível abertura em direção a novas partilhas do sensível, tal como indica Jacques Rancière. / This thesis is devoted to the enunciative study of the deletions present in the manuscript of Esau and Jacob, preserved in the Brazilian Academy of Letters, whereby I intend to question the mechanisms of meaning construction and the mechanisms of irony in the work of Machado de Assis. For this purpose, an analysis is based on the binomial denominated, here, the manuscript of fiction and the fiction of the manuscript. In the first part, I present a description from a genetic criticism perspective of the referred novels manuscript and other manuscripts from the same author containing signs of a certain working of writing. I proceed to the enunciative analyses of the deletions done in the manuscript, observing how a problematic construction of the narrative voice and a discursive arrangement of the voices occur, basing myself mainly on Émile Benveniste and Jacqueline AuthierRevuzs theories. In the second part, following chiefly Abel Barros Baptista and JoséLuis Diaz analyses, I dedicated myself to the study of the fictional author, aiming to examine to what extent this fiction resource delineates a complex authorial image and defines an enunciative posture that makes infeasible the authors perception as the guaranty of the meaning of the novel and, consequently, the irony. This unbalances the signification widely, but reestablishes the matter of the body and the voice of literature and also enables a possible path towards new distributions of the sensible as Jacques Rancière suggests.
|
158 |
Zanguési, de Velimír Khlébnikov: a utopia da obra de arte como síntese perfeita do universo / Zanguézi, by Velimír Khlébnikov: the utopia of the artwork as the perfect synthesis of the universeFrancisco Junior, Mario Ramos 15 May 2008 (has links)
Este estudo divide-se em duas partes que representam dois objetivos com o mesmo grau de importância: a primeira parte, a tradução integral anotada de Zanguézi, texto literário do poeta russo Velimír Khlébnikov; a segunda constitui-se em um estudo analítico deste texto. Como primeiro objetivo, este trabalho traz pela primeira vez aos leitores da língua portuguesa o principal e último texto artístico de Khlébnikov, considerado um dos principais poetas do início do século XX. Já a segunda parte da tese tem por objetivo analisar o método de criação desenvolvido pelo autor para a elaboração de um novo gênero literário, a supernarrativa, no qual articula distintos sistemas literários (nos diferentes gêneros), poéticos (na composição rítmica) e lingüísticos (no uso da língua russa junto a uma nova forma: a língua transmental). No estudo, a utilização do conceito de semiosfera, desenvolvido por Iúri Lótman no campo da Semiótica da Cultura, permitiu explorar a articulação de distintos sistemas semióticos na narrativa e revelou-a como o mecanismo utilizado pelo poeta para concretizar, no plano estético, seu conceito utópico de um universo harmônico, perfeitamente controlado em seu funcionamento e na relação entre as partes e o todo. A compreensão deste mecanismo possibilitou o complexo trabalho de tradução do texto. A tradução de Zanguézi respondeu à necessidade de trazer à língua portuguesa um texto de grande importância para os estudiosos da literatura russa e de vanguarda, diversas vezes citado em estudos literários no Brasil. A análise do texto corrobora a importância dos estudos sobre as vanguardas e o quanto podem revelar novos métodos de composição desenvolvidos naquele período, tão fecundo e que tanto influencia, até hoje, o campo da criação artística. / The present study is divided in two parts which comprise two objectives with the same level of importance: the first part is a complete annotated translation of Zanguézi, literary text of the Russian poet Velimír Khlébnikov whereas the second is an analytical review of the same work. As a primary objective, this study brings for the first time to Brazilian readers, the last and most important artistic text by Khlébnikov, who is considered one of the main poets of the beginning of the twentieth century. Furthermore, the aim of the second part of the thesis is to analyze the method of creation developed by the author in the elaboration of a new literary genre, the supersaga, in which it connects different systems, i. e., the literary (in the different genres), the poetic (in rhythmic composition) and the linguistic (in the use of Russian language together with a new form: transrational language). In this study, the use of the concept of semiosphere developed by Iúri Lótman in the field of Cultural Semiotics, enabled the assessment of the connection among distinct semiotic systems in the narrative in addition to revealing itself as the mechanism used by the poet to create, in the aesthetic level, his utopian concept of an harmonic universe, perfectly controlled in its functioning and in the parts-whole relationship. The understanding of this mechanism has made the complex work of translation of the text possible. The translation of Zanguézi catered for the need to bring to the Portuguese language a text of great importance for the students of Russian and avant-garde literature, often quoted in literary studies in Brazil. Finally, the analysis of the text corroborates the importance of vanguard studies and the extent to which they can reveal new methods of composition developed in such a fecund period, which influences so much the field of artistic creation until the present day.
|
159 |
Caminhos teóricos para a leitura literária de práticas de resistência subalterna. / Theoretical paths for the literary reading of subaltern resistance practices.Ribeiro, Giselle Rodrigues 24 August 2010 (has links)
A elaboração deste trabalho foi motivada pela percepção de que as vozes de indivíduos subalternizados, embora muitas vezes explicitadas no texto literário, passam freqüentemente despercebidas no processo analítico desses textos. A crença de que isto se deve não a uma negligência preconcebida, mas antes a uma colonização das [nossas] perspectivas cognitivas (QUIJANO, 2005, p.237), motivou-nos, conseqüentemente, a realizar um trabalho de natureza propositiva. Um trabalho, cabe dizer, que torne legível, para o estudioso de literatura, um arcabouço teórico capaz de auxiliá-lo na estruturação de análises literárias que abracem uma perspectiva descolonizada. E que assim sendo, auxilie o leitor e/ou crítico literário a transcender o enfoque dado à caracterização da opressão que demarca a existência subalternizada, ao potencializar a atenção para com as estratégias de resistência postas em movimento, pelo indivíduo marginalizado, para garantir as condições necessárias à sua sobrevivência. Desse modo, e entendendo a desconstrução das subalternidades como opção ético-políticoepistemológica, tratamos de recuperar a perspectiva bakhtiniana do outro; os conceitos de Relação e de Crioulização, propostos por Édouard Glissant; as reflexões sobre o homo situs e os sítios simbólicos de pertencimento, elaboradas por Hassan Zaoual; e a razão cosmopolita proposta por Boaventura de Sousa Santos. Isto se deu, porque o consenso intelectual percebido nos textos teóricos considerados quanto à existência, à capacidade e ao valor do papel de pessoas historicamente outremizadas mostrou-se adequado ao modelo teórico que desejávamos propor. Mas também porque nossa intenção era a de somar em conjunto os esforços das diferentes disciplinas acadêmicas, para interpretar e documentar diferenças e construir pontos de vista plurais (DIAS, 1998, p.128). Cumpre, ainda, dizer que o desenvolvimento desta dissertação se apoiou no intuito de contribuir para com a difusão da noção de existência subalterna, memoravelmente trabalhada por Spivak nos anos 1980, e recentemente transcendida por pesquisadores latino-americanos, quando se atêm ao exame da colonialidade do poder e de uma geopolítica do conhecimento, e por intelectuais portugueses ao considerarem os estudos e movimentos desenvolvidos a partir do Sul Global. / By recognizing that the voices of subaltern characters were often overlooked in the study of literary texts, we decided to carry out a theoretical work that could assist the student of literature to structure his/her literary analysis by following a decolonized perspective. We wanted the scholar of literature to transcend the focus on the characterization of the oppression that marks the subaltern existence by paying more attention to the strategies of resistance carried out by marginalized individuals in a way to ensure the necessary conditions for their survival. Thus, we decide to consider the Bakhtinian perspective of the other; the concepts of Relation and of Creolization, considered by Edouard Glissant; the concepts of homo situs and of symbolic sites of belonging, developed by Hassan Zaoual, and the idea of a cosmopolitan reason, as it is proposed by Boaventura de Sousa Santos. This was done because the intellectual consensus revealed in these texts, regarding the existence, the capacity and the value of the role of subaltern people was adequate to the theoretical model that we wanted to propose. It is also important to mention that the development of this work contributed to the diffusion of the concept of subaltern existence, remarkably crafted by Spivak in 1980s, and recently surpassed by Latin American researchers, when they stick to the examination of the coloniality of power and of a geopolitics of knowledge, and by Portuguese intellectuals when they tend to consider the studies and the resistance movements developed from the South.
|
160 |
O corpo por fazer: Sade e a equivocidade enunciativa nas três versões de Justine / The body to be made: Sade and the enunciative equivocity in the three versions of JustineGomes, Livia Cristina 07 July 2017 (has links)
Estuda-se aqui a escrita do marquês de Sade, sobretudo as três versões de sua personagem virtuosa: Os infortúnios da virtude [Les infortunes de la vertu] (1787), Justine ou as infelicidades da virtude [Justine ou les malheurs de la vertu] (1791) e A Nova Justine ou as infelicidades da virtude [La Nouvelle Justine ou les malheurs de la vertu] (1799). Nelas, investiga-se o modo pelo qual a escrita produz equívocos, campos de ressonância e compossibilidades entre os pares conceituais com os quais trabalha (a saber, virtude/vício; infelicidade/prosperidade; etc). A dramatização dos conceitos e das normas simbólicas que os orientam configura, assim, uma cenografia equívoca, cujo funcionamento consiste em sabotar a univocidade de sentido dos termos que aciona. Essa equivocidade constitutiva da escrita sadiana deixa então em suspenso o próprio posicionamento enunciativo, não se subsumindo à particularização das intenções do Autor e, tampouco a uma determinação unívoca do contexto. Propõe-se, entretanto, singularizar sua indeterminação, ou melhor, a sobredeterminação das torções perspectivas que efetua e os seus equívocos, bem como os reenvios que fabrica e encena em uma rede de enunciações. Para tanto, dramatizam-se aqui dois eixos de análise, nos quais a virtude se faz fundamental: a discussão setecentista sobre a função moralizadora das artes e a política jacobina de Robespierre. Na passagem de uma a outra, é a equivocidade enunciativa de Sade que entrelaça a performatividade do texto literário e a instituição da lei. / This thesis aims to study the writing of Marquis de Sade, especially the three versions of his virtuous character: Les infortunes de la vertu (1787), Justine ou les malheurs de la vertu (1791) and La Nouvelle Justine ou les malheurs de la vertu (1799). In them, the object of inquiry is the way that writing produces equivoques, fields of resonance and compossibilities between conceptual pairs in which it works upon (namely, virtue/vice; infelicity/prosperity, etc). The dramatization of the concepts and symbolic norms that guide them sets an equivocal cenography, whose operation consists in sabotage the univocity of the terms\' meanings that it triggers. This constitutive equivocity of the sadian writing leaves suspended the whole enunciative positioning, not subsuming itself to the particularizations of the author\'s intentions, neither to a univocal determination of the context. However, it is proposed to singularize its indetermination, or better put, the overdetermination of the perspective torsions that it performs and its equivoques, as well as the resends that it fabricates and stages in a network of enunciations. Therefore, this thesis dramatizes two axes of analysis, in which the virtue is fundamental: the discussion in the Eighteenth century about the moralizing function of the arts and Robespierre\'s jacobin politics. In the passage from one to another, it is Sade\'s enunciative equivocity that tangles the literary texts\'s performativity and the institution of the law.
|
Page generated in 0.0893 seconds