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Frank Miller e os quadrinhos pelo que vale a pena morrer / Frank Miller and Comics: Worth dying for

As décadas de 1980-1990 marcam um ponto importante da história das revistas de quadrinhos de super-heróis. Mudanças no mercado, no público, na política, nos debates morais e culturais do momento ofereceram um cenário propício para novos desenvolvimentos no gênero super-herói. Esse quadro é cercado pelo pós-modernismo, a urbanização, a contracultura, mudanças nas artes e condições políticas que se desenvolvem da Guerra Fria, geograficamente centrada entre a Europa e os Estados Unidos, para a Guerra do Iraque, o que desloca atenções geopolíticas e conflitos para o Oriente Médio. Os quadrinhos de super-herói passam a oferecer maior liberdade temática para seus autores, e discussões sobre direitos autorais ganham força. Este cenário dispõe das condições para que alguns autores pudessem levar os super-heróis para discussões diferentes das décadas precedentes, permitindo o surgimento de trabalhos significativos, de autores que marcam suas obras abordando os super-heróis de forma pessoal. A presente pesquisa procura entender como o autor de histórias em quadrinhos Frank Miller se posicionou diante de uma determinada área de produção artística, utilizando-se das revistas de super-herói para discutir posicionamentos ideológicos, e reforçar seu caráter mítico e simbólico. Utilizando princípios da história cultural desenvolvidos por autores como Ginzburg, Burke, Gombrich, Schorske e Barzun, contextualiza-se a trajetória das histórias em quadrinhos até os anos 1980 e 1990, estabelecendo as condições da mídia quando do trabalho do artista. Para posicionar Miller em relação a seu mercado e suas relações de produção, são utilizadas as ferramentas analíticas de Michael Baxandall, que oferecem um modelo interpretativo das relações que se dão na produção artística. Finalmente, observam-se as abordagens temáticas e morais de sua obra, com seu contexto dentro de uma trajetória na história cultural. Para isso, traça-se um panorama que discute como a obra de Miller atualiza a jornada do herói de Joseph Campbell, utilizando-se da cultura popular para fazer um diálogo entre discussões morais, históricas e políticas, por meio de uma construção de narrativas heroicas que operam como mitos populares modernos e parâmetros civilizacionais, carregando em si princípios, valores e ideias de uma cultura. / The decades of 1980-1990 establish an important point in the history of comic books. Changes in the market, the audience, in politics and in the cultural and moral debates of the time offered a scenario which was welcoming to new developments on the super-hero genre. This moment is marked by post-modernism, urbanization, the counter-culture, changes in arts and the political conditions which develop from the Cold War, geographically centred between the United States and Europe, to the Iraq war, which moves the geopolitical attentions and conflicts to the Middle- East. Super-hero comics start offering wider thematic freedom to their authors, and discussions about creator\'s rights gain momentum. This scenario contains the conditions for some of these authors to take super-heroes to discussions which are different from the ones happening in the preceding decades, allowing the emergence of important works, made by authors which marked their work in a very personal manner. This research seeks to understand how comic-book author Frank Miller has positioned himself before an area of artistic production, using super-hero comics, and comics in general, to discuss moral positions, and to underline their mythical and symbolic character. Exercising principles of cultural history developed by authors like Ginzburg, Burke, Gombrich, Schorske and Barzun, we situate the trajectory of comics from their inception as magazines until the 1980s and 1990s, establishing which were the conditions of this medium when Miller produced the works we look at. To understand Miller in relation to his market and his production, we use the analytic tools of Michael Baxandall, which offer an interpretative model of the relationships which happen in artistic production. Finally, we observe the thematic and moral approaches of his work, with their context within a trajectory in cultural history. In order to perform this, we establish a context which discusses how Miller work updates Joseph Cambell\'s hero\'s journey, using popular culture to make connections between moral, political and historical debates, creating heroic narratives which operate as modern popular myths and as civilizational benchmarks, carrying with them the principles, values and ideas of a culture.

Identiferoai:union.ndltd.org:usp.br/oai:teses.usp.br:tde-05092017-092333
Date04 July 2017
CreatorsGhirotti, Joaquim Cardia
ContributorsVergueiro, Waldomiro de Castro Santos
PublisherBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Source SetsUniversidade de São Paulo
LanguagePortuguese
Detected LanguageEnglish
TypeTese de Doutorado
Formatapplication/pdf
RightsLiberar o conteúdo para acesso público.

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