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A Influência dos Recursos Estratégicos na Internacionalização das Empresas de Tecnologia da Informação

O trabalho teve como objetivo analisar a internacionalização das empresas de tecnologia da informação, tendo como ponto de apoio a influência de seus recursos estratégicos neste processo. Com os resultados da pesquisa, propõe-se um modelo de internacionalização específico para as empresas brasileiras. A justificativa para a pesquisa se encontra em dois aspectos distintos: acadêmica e econômica. A acadêmica se embasa na escassez de estudos na área, principalmente nas questões voltadas para empresas prestadoras de serviços. Apesar da difundida importância que o setor de TI tem no desenvolvimento do país, pouco tem sido estudado e publicado sobre o assunto. A escassez de trabalhos desta área potencialmente importante, como a de TI, pode comprometer o crescimento econômico sustentável do país. Assim, a justificativa econômica se afirma nestes motivos. O problema de pesquisa foi investigar se as empresas de TI vêm se internacionalizando e de que forma seus recursos estratégicos influenciam neste processo. Foi apresentado como objetivo geral verificar a influência dos recursos estratégicos na participação de mercados internacionais, das empresas de TI e como objetivos específicos: a) Identificar e analisar os recursos estratégicos desenvolvidos para a internacionalização das empresas de TI; b) Identificar e analisar o grau de internacionalização destas empresas, a partir dos recursos estratégicos estabelecidos; c) Identificar quais recursos estratégicos contribuíram mais para a entrada no mercado internacional; d) Avaliar os possíveis impactos da internacionalização nos resultados da empresa; e) Apresentar possíveis recomendações decorrentes dos resultados do estudo. As contribuições deste trabalho estão atreladas às justificativas para sua execução: (i) Enriquecimento no campo acadêmico e (ii) apresentar-se como mais uma fonte de consulta e apoio no campo prático para as empresas brasileiras que buscam o mercado internacional. A pesquisa traz informações relevantes às práticas adotadas pelas empresas de TI, apresentando as estratégias, os processos e os resultados encontrados. No âmbito da teoria da internacionalização fez-se uma abordagem dos ramos comportamentais e econômicos. As questões abordadas poderão servir de apoio a novas pesquisas, suscitando a busca por um aprofundamento ainda maior do tema, ou pelo aumento da abrangência dos objetos estudados, favorecendo o aumento do grau de informações e a qualidade de pesquisas futuras. A metodológica adotada foi pesquisa exploratória, pois se tinha o intuito de se formular um problema mais claramente; aproximar o pesquisador do seu objeto de estudo; dar suporte a pesquisas futuras sobre o fenômeno. Outra razão, para caracterizá-la como uma exploratória, foi a ausência de referenciais acadêmicos sobre a internacionalização de empresas brasileiras de TI. Por ser um trabalho essencialmente exploratório, não houve interesse em generalizar resultados, ou mesmo da adaptabilidade do modelo proposto a outros segmentos de empresas. O trabalho seguiu a linha defendida por Malhotra (2001) e Vergara (1997), onde as pesquisas exploratórias não podem comportar hipóteses, pois, esta surge de algo desconhecido, ou mesmo improvável, não havendo quantidade suficiente de informação, ou conhecimento, para a geração de conceitos antecipados, onde as hipóteses surgiriam durante a fase conclusiva do trabalho. Para a definição da amostra foram selecionadas empresas associadas à ASSESPROMG, que estivessem classificadas como prestadoras de serviços de TI, num total de 48 empresas. O marco teórico desta pesquisa se estrutura com base em quatro pilares. No primeiro, é abordada a globalização do comércio, sua origem, seu processo e a mudança dos padrões de comércio entre países, passando para o comércio entre grandes corporações e chegando às pequenas empresas, ou mesmo ao comércio entre indivíduos, um forte marco do início do século XXI. O segundo apresenta as teorias do comércio internacional, aprofundando-se nas escolas clássicas de Adam Smith. Faz-se uma explanação sobre estas teorias, apresentando seus principais defensores e finalizando com críticas à teoria da vantagem comparativa de David Ricardo. O terceiro trata das teorias da internacionalização, focando nos modelos baseados nas correntes de pressupostos comportamentais, como a escola nórdica de Uppsala, a escola com foco na inovação e no ciclo de vida do produto de Vernon; nos modelos baseados em aspectos econômicos, com a escola do enfoque no custo de transação e o paradigma eclético; e outros dois modelos mais recentes, os late movers e as born global. O último pilar é composto pelo novo modelo de internacionalização das empresas brasileiras de TI, elaborado e utilizado nesta pesquisa. O modelo se apresenta como uma opção ao estudo do processo de internacionalização das empresas brasileiras de TI. A montagem do modelo é apresentada com os pressupostos do autor, bem como com os dos demais autores e modelos que o influenciaram. Os resultados da pesquisa demonstraram que muitos fatos tratados pela literatura consultada sobre o tema acontecem, na prática, nas empresas brasileiras; contudo, não existe um padrão de internacionalização que se atenha mais a este ou àquele modelo de internacionalização proposta e discutida nos trabalhos acadêmicos. Entendeu-se que havia realmente um espaço para um novo modelo de internacionalização, voltado especificamente para as empresas brasileiras, apesar destas ainda se encontrarem, conforme foi apurado pela pesquisa, em diversos níveis distintos de internacionalização, porém, em sua maioria, ainda incipientes. Um dos resultados mais importantes foi a constatação de que as empresas pesquisadas padecem de um planejamento voltado para sua internacionalização, desenvolvendo suas competências organizacionais, aprimorando suas estratégias de abordagem ao mercado externo e conjugando estes com as demandas externas dos produtos nacionais. Com a pesquisa foi possível investigar a forma como as empresas vêm desenvolvendo suas competências organizacionais, para o atendimento, não só de suas demandas internas e externas, tanto para as empresas que já estão internacionalizadas, quanto para as que buscam o mercado externo. Foram abordadas as estratégias de internacionalização utilizadas e intencionadas, além da forma como elas interagem com as competências organizacionais visando o mercado externo. Desta forma, conclui-se que os recursos estratégicos - somatórios das competências organizacionais com as estratégias de internacionalização - influenciam fortemente no processo de internacionalização das empresas brasileiras de TI, podendo, inclusive, apresentarem-se como barreiras impeditivas ao mercado externo. Os resultados encontrados os objetivos específicos foram igualmente satisfatórios, pois a pesquisa analisou com profundidade suficiente para que fossem devidamente oferecidas as respostas questões apresentadas.

Identiferoai:union.ndltd.org:IBICT/oai:bibliotecadigital.ufmg.br:MTD2BR-FACE-7Q3R85
Date30 May 2008
CreatorsFelipe Maia Affonso
ContributorsJose Edson Lara
PublisherUniversidade Federal de Minas Gerais, 32001010026P0 - ADMINISTRAÇÃO, UFMG, BR
Source SetsIBICT Brazilian ETDs
LanguagePortuguese
Detected LanguagePortuguese
Typeinfo:eu-repo/semantics/publishedVersion, info:eu-repo/semantics/masterThesis
Formattext/html
Sourcereponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFMG, instname:Universidade Federal de Minas Gerais, instacron:UFMG
Rightsinfo:eu-repo/semantics/openAccess

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