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A criança surda e seus interlocutores num programa de escola inclusiva com abordagem bilíngüe

O presente trabalho aborda a problemática da educação oferecida às crianças
surdas e busca discutir as possibilidades de articulação entre iniciativas de educação
bilíngüe e de inclusão escolar para esses alunos. A pesquisa aqui relatada focaliza
uma instituição de educação infantil da rede pública que desenvolve um programa
com esse duplo propósito, propiciando ao aluno surdo a interação com educadores
ouvintes - professora, intérprete e outros profissionais - e um educador surdo, além
da convivência com parceiros ouvintes e surdos. O estudo deu ênfase ao papel da
linguagem na formação da criança, referenciando-se em autores que assumem a
corrente histórico-cultural e/ou a perspectiva enunciativo-discursiva na investigação
da educação de surdos. O objetivo específico foi analisar os modos pelos quais as
crianças surdas envolvem-se nas relações interpessoais e na comunicação com os
diversos interlocutores presentes na sala de aula, em particular com os adultos
educadores, cujos papéis são diferentes no que concerne ao trabalho pedagógico e
aos compromissos com o aluno incluído. Os procedimentos abrangeram filmagens
de atividades em classe, entrevistas com educadores e anotações de campo sobre
outros aspectos de interesse. As análises indicam algumas limitações das
possibilidades de interlocução das crianças surdas, vinculadas aos tipos de
atividades desenvolvidas (como canto/música e conto de história) e, sobretudo, à
demanda de atenção visual decorrente da presença de diferentes educadores, com
posições distintas em sala de aula. Quanto a esse segundo apontamento, ficaram
evidenciados encontros e desencontros no que diz respeito aos papéis da
professora, da intérprete e do educador surdo, além de ambigüidades na atribuição
de responsabilidade a cada um em termos da atuação pedagógica. Diante desses
interlocutores adultos (além de outros, menos regularmente presentes), as crianças
surdas respondiam de maneiras variadas, mas geralmente reveladoras de
dificuldades tanto para escolher “para quem” e “quando” olhar, como para
compreender e participar das atividades em ocorrência. Considerando essas
experiências das crianças e o tempo insuficiente de atividades adicionais exclusivas
para o grupo de surdos, nota-se que as condições ainda não lhes permitem um bom
ritmo de aquisição da língua brasileira de sinais. No fechamento do texto são
salientados os méritos do programa e os vários avanços efetivados; ao mesmo
tempo, são apontados problemas sugeridos pelos achados. Esses problemas,
embora não possam ser enfrentados apenas no âmbito de decisão da equipe
coordenadora e da escola, em razão especialmente das políticas de redução de
custos e da disposição de instâncias educacionais superiores, sugerem a
necessidade de mudanças urgentes, para evitar o risco de manter as metas da
educação bilíngüe em posição de subalternidade às da educação inclusiva
entendida como atendimento na escola regular.

Identiferoai:union.ndltd.org:IBICT/oai:repositorio.ufsc.br:123456789/190808
Date January 2006
CreatorsTURETTA, Beatriz Aparecida dos Reis
PublisherUNIMEP
Source SetsIBICT Brazilian ETDs
LanguagePortuguese
Detected LanguagePortuguese
Typeinfo:eu-repo/semantics/publishedVersion, info:eu-repo/semantics/masterThesis
Sourcereponame:Repositório Institucional da UFSC, instname:Universidade Federal de Santa Catarina, instacron:UFSC
Rightsinfo:eu-repo/semantics/openAccess

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