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Dependências morfossintáticas entre núcleos verbais em sequência e a dupla realização do sujeito : auxiliares como verbos de controle

Orientador : Prof. Dr. Maximiliano Guimarães / Dissertação (mestrado) - Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Letras. Defesa: Curitiba,24/04/2013 / Inclui referências / Resumo: Esta dissertação de mestrado tem por objetivo avançar na compreensão dos
verbos auxiliares do Português Brasileiro, ampliando as descrições e refinando as
análises de seu comportamento. O próprio estatuto categorial dos verbos auxiliares será
revisto com base em (i) dependências morfossintáticas e possibilidades de combinação
em estruturas sequências de múltiplos auxiliares; e (ii) estruturas com dupla realização
do sujeito, uma delas aparentando ser um pronome resumptivo.
Com base nas propostas de Chomsky (1957), Ross (1969), Lasnik (2000),
Hornstein (2001, e trabalhos subsequentes) e Guimarães e Mendes (2013), propomos
uma análise para dados como (1-3), paralelamente revendo algumas posições já
sedimentadas sobre os verbos auxiliares do Português Brasileiro.
(1) a. O Joãoi vai ELEi consertar o carro, já que ninguém se mexe.
b. Não sei por que elai/j está procupada, Mariai é ELAi a linda do grupo.
c. Mariai está ELAi preparando a festa já que ninguém se manifestou.
d. Joãoi está ELEi sendo o mal educado aqui, não o Carlos.
(2) a. Maria está ELA indo ficar chorando no ombro do Pedro, e não vice-versa.
b. Maria está indo ELA ficar chorando no ombro de Pedro, e não vice-versa.
c. Maria está indo ficar ELA chorando no ombro de Pedro, e não vice-versa.
d. *Maria está ELA indo ELA ficar chorando no ombro do Pedro, e não viceversa.
e. *Maria está indo ELA ficar ELA chorando no ombro de Pedro, e não viceversa.
f. *Maria está ELA indo ELA ficar ELA chorando no ombro de Pedro, e não
vice-versa.
(3) a. O meninos querem ELES lavar o carro depois que ELES arrumarem a casa.
b. Os meninos parecem ELES estar conversando enquanto ELES estudam.
Os dados acima apontam que existe a possibilidade de "pronunciação" de uma
cópia baixa do sujeito que passa por processo de pseudo-pronominalização nos sintagmas com os verbos auxiliares, desde que esse elemento esteja focalizado – por
isso a notação em maiúsculas – e obrigatoriamente co-referencial ao sujeito.
Essa possibilidade de que verbos auxiliares licenciam estruturas de controle em
que essa cópia baixa passa por um fenômeno de pseudo-pronominalização para ser
pronunciada como anáfora associada com foco levanta diversas questões que são o
cerne deste trabalho:
(i) existindo uma posição Spec nos sintagmas nucleados por auxiliares, este seria
de passagem obrigatória para os DPs sujeitos?;
(ii)tendo que estar obrigatoriamente em foco essa cópia pseudopronominalizada,
qual a informação focalizada, já que auxiliares são
tradicionalmente considerados verbos não atribuidores de papel temático a um
argumento externo?;
(iii) os verbos auxiliares atribuiriam, então, algo como um papel temático, ou um
papel quasi-temático, que possa servir de informação focalizada?;
(iv) se esses verbos possuírem posição de argumento externo e atribuírem um
papel temático ou quasi-temático, não seriam eles mais parecidos com os verbos
plenos como defendeu Ross (1969)?;
(v) nessa perspectiva, poderíamos, então, tratar os auxiliares como verbos de
controle, dada a similaridade de seus comportamentos? / Abstract: This Master’s Thesis aims at advancing our understanding of the behavior of
auxiliary verbs in Brazilian Portuguese, expanding the descriptions and fine tuning the
analysis of their behavior. The categorial status of auxiliary verbs itself will be revised
based on (i) morphosyntactic dependencies and combination possibilities in sequences
of multiple auxiliaries; and (ii) structures with two instances of the subject being
pronounced, one of them in the form of an apparent resumptive pronoun.
Based on the proposals of Chomsky (1957), Ross (1969), Lasnik (2000),
Hornstein (2001 and subsequent work) and Guimarães and Mendes (2013), we propose
a new analysis the data suchlike (1-3). In parallel we review some well established
positions about the behavior and description of auxiliary verbs in Brazilian Portuguese.
(1) a. O Joãoi vai ELEi consertar o carro, já que ninguém se mexe.
b. Não sei por que elai/j está procupada, Mariai é ELAi a linda do grupo.
c. Mariai está ELAi preparando a festa já que ninguém se manifestou.
d. Joãoi está ELEi sendo o mal educado aqui, não o Carlos.
(2) a. Maria está ELA indo ficar chorando no ombro do Pedro, e não vice-versa.
b. Maria está indo ELA ficar chorando no ombro de Pedro, e não vice-versa.
c. Maria está indo ficar ELA chorando no ombro de Pedro, e não vice-versa.
d. *Maria está ELA indo ELA ficar chorando no ombro do Pedro, e não viceversa.
e. *Maria está indo ELA ficar ELA chorando no ombro de Pedro, e não viceversa.
f. *Maria está ELA indo ELA ficar ELA chorando no ombro de Pedro, e não
vice-versa.
(3) a. O meninos querem ELES lavar o carro depois que ELES arrumarem a casa.
b. Os meninos parecem ELES estar conversando enquanto ELES estudam.
The data above indicate that there is a possibility of pronunciation of a lower
copy of the subject that undergoes the process of what we call "pseudo pronominalization" in sentences with auxiliary verbs, wherein there is the restriction
that this element that suffers pseudo-pronominalization must be focalized (that’s why
we use the notation with capitals notation), and co-referencial with the subject.
The possibility that auxiliary verbs license control structures in which a low
copy undergoes pseudo-pronominalization and is pronounced as an anaphora associated
with focus raises several questions that are the core of this study:
(i) since there is a Spec position in the AuxP, would the subject DP necessarily
have to ‘stop by’ this position on its way to its final position?;
(ii) given that the lower copy of the subject must be focalized to be pronounced,
there ought to be some information being focalized; then what would that
semantic information be, since auxiliaries are known for not assigning any
thematic information to their argument?;
(iii) would auxiliary verbs, then, assign something like a theta-role, or a quasitheta-
role, to serve as the focalized information?;
(iv) if these verbs have an external argument position and assign a theta-role or a
quasi-theta-role, wouldn’t they be more like lexical verbs as defended by Ross
(1969)?;
(v) in this perspective, could we treat auxiliaries as control verbs, given the
similarity of their behavior?

Identiferoai:union.ndltd.org:IBICT/oai:dspace.c3sl.ufpr.br:1884/36913
Date January 2013
CreatorsTrautwein, Mariana M.
ContributorsMiranda, Maximiliano Guimaraes, Universidade Federal do Paraná. Setor de Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Letras
Source SetsIBICT Brazilian ETDs
LanguagePortuguese
Detected LanguagePortuguese
Typeinfo:eu-repo/semantics/publishedVersion, info:eu-repo/semantics/masterThesis
Format146f. : il., grafs., tabs., application/pdf
Sourcereponame:Repositório Institucional da UFPR, instname:Universidade Federal do Paraná, instacron:UFPR
Rightsinfo:eu-repo/semantics/openAccess
RelationDisponível em formato digital

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