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Mundo-vida de caminhoneiros

Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Florianópolis, 2010 / Made available in DSpace on 2012-10-25T05:44:05Z (GMT). No. of bitstreams: 1
280954.pdf: 851317 bytes, checksum: 82447e7bb3972c34762e3c1151d6dca5 (MD5) / Este estudo teve por objetivo geral compreender o mundo-vida de caminhoneiros de longa distância que praticam ações para se manterem alertas por longos percursos ao volante, numa abordagem compreensiva para a enfermagem, na perspectiva de Alfred Schutz. E como objetivos específicos: elaborar princípios orientadores de uma metodologia de pesquisa a partir do referencial teórico-filosófico de Alfred Schutz; desvelar as ações praticadas pelos caminhoneiros e os motivos que os levam a praticá-las, apresentando o tipo vivido caminhoneiro de longa distância que pratica ações para se manter alerta por longos percursos ao volante; e analisar compreensivamente esse tipo vivido e o significado das suas ações para ficar alerta. Assim, realizou-se uma pesquisa fenomenológica, baseada nas questões norteadoras: Descreva a sua vida de caminhoneiro; Que ações você pratica para se manter alerta durante os longos percursos ao volante?; Qual o significado dessas ações para você? Foram entrevistados cinco caminhoneiros, de dezembro de 2009 a fevereiro de 2010, tendo como local de acesso aos sujeitos a Central de Abastecimento de Santa Catarina, São José/SC. Das descrições experienciais dos caminhoneiros, identificaram-se as categorias da ação humana que expressam aspectos significativos da vivência, considerando os "motivos porque" e os "motivos para", que permitiram a interpretação das ações e possibilitaram captar a intencionalidade, ou seja, os "motivos para" desvelando o típico da ação. Assim, o caminhoneiro típico é aquele que calcula o tempo de viagem, programa com antecedência, não perde tempo durante o percurso, não para à toa, somente faz as paradas necessárias, dorme um pouco quando está com sono e descansa quando se sente fatigado; para isso, ele planeja a sua viagem antes de sair de casa, com a intenção de parar para dormir durante o percurso. Porém, se acontecer algum imprevisto fazendo com que se atrase, terá de aumentar as suas horas ao volante. Então ele para, lava a "cara", toma café, continua a viagem e, se o sono persistir, para novamente, lava a cara, toma café com Coca-Cola e prossegue. Não sendo suficiente, ele para, e toma banho para se manter alerta, sem o uso de rebites. Mas se praticar todas essas ações e, mesmo assim, o sono chegar e ele precisar continuar a viagem, recorre ao uso do rebite para se manter alerta, no intuito de prevenir acidentes de trânsito e conseguir cumprir o compromisso assumido - entregar a carga no horário programado - ou adiantar a viagem para chegar em casa mais cedo e rever a família. A visão compreensiva embasada em Schutz possibilitou desvelar um vivido de caminhoneiros até o presente oculto. Acredito que os resultados desta tese contribuirão para o desenvolvimento de uma política de saúde mais abrangente que possa incluir o caminhoneiro, mediante ações humanizadas básicas e individualizadas, levando em conta não só ações curativas, mas que se preocupe com o ser em sua totalidade, como pessoa pertencente a um contexto socioeconômico e cultural. Entendendo que a enfermagem possa aproximar-se do vivido dos caminhoneiros, apreendendo aspectos que se mostrem apropriados para esse novo olhar, possibilitando incluí-los como participantes de seu cuidado.

Identiferoai:union.ndltd.org:IBICT/oai:repositorio.ufsc.br:123456789/94030
Date25 October 2012
CreatorsZeferino, Maria Terezinha
ContributorsUniversidade Federal de Santa Catarina, Carraro, Telma Elisa
Source SetsIBICT Brazilian ETDs
LanguagePortuguese
Detected LanguagePortuguese
Typeinfo:eu-repo/semantics/publishedVersion, info:eu-repo/semantics/doctoralThesis
Sourcereponame:Repositório Institucional da UFSC, instname:Universidade Federal de Santa Catarina, instacron:UFSC
Rightsinfo:eu-repo/semantics/openAccess

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