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O uso variável do pronome de segunda pessoa você(s)/cês(s) na cidade de São Paulo / The variable use of the second person pronoun você(s)/cê(s) in the city of São PauloIvanete Belem do Nascimento 17 February 2011 (has links)
Esta dissertação trata da variação no uso do pronome de segunda pessoa (singular e plural) na cidade de São Paulo. Duas formas alternativas são empregadas nessa comunidade de fala: a variante plena você(s) e a forma foneticamente reduzida cê(s). A pesquisa é desenvolvida de acordo com os pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista. Foram desenvolvidas análises sincrônica e diacrônica com dados extraídos de duas amostras (NURC-SP-1970 e GESOL-SP-2000). Os resultados evidenciam um equilíbrio na distribuição das duas variantes nessa comunidade de fala. Embora se verifique uma típica mudança em progresso (tempo aparente) na década de 1970, a análise dos anos 2000 revela um caso de variação estável na comunidade de fala. Nos anos 2000, a variante inovadora, a forma reduzida cê, tende a ser favorecida pelos informantes mais jovens e pelas mulheres acima de 50 anos de idade. Cê é desfavorecida entre os indivíduos de uma faixa etária intermediária (entre 35 e 45 anos) o que pode estar relacionado a questões de monitoramento da fala e ao mercado linguístico (Paiva & Duarte, 2003). Adicionalmente, cê tende a ser evitado entre os indivíduos mais escolarizados; e é favorecido em interações cujos informantes são familiares ou amigos. De um ponto de vista linguístico, o emprego das variantes é correlacionado pelo Princípio do Contorno Obrigatório e por questões morfossintáticas, semânticas e discursivo-cognitivas, com especial atenção à referência do pronome. Os resultados corroboram a hipótese de cliticização da variante reduzida, mas fornecem um contra-argumento à correlação direta entre erosão fonética e abstratização semântica, defendida na literatura sobre gramaticalização. / This master thesis analyzes the variation in the use of the second person pronoun (singular and plural) in the city of São Paulo. Two alternative forms are employed: você you, and a phonetically reduced form cê you. The research is developed according to the theoretical and methodological framework of Variationist Sociolinguistics. Both synchronic and diachronic multivariate analyses are pursued, with data extracted from two samples (NURC-SP-1970 and GESOL-SP-2000). The results show a balance in the distribution of the two variants in the speech community. Although it was observed a typical change in progress (apparent time) in the 1970s, the analysis of the 2000s data reveals a case of stable variation in the speech community. In the 2000s, the innovative, phonetically reduced variant tends to be favored by younger people and women over 50 years old. Cê is disfavored among individuals between 35 and 45 years which can be related to issues of speech monitoring and the linguistic market (Paiva & Duarte, 2003). In addition, cê tends to be avoided by those whose level of education is higher, and is favored in conversations between informants who are friends or relatives. From a linguistic perspective, the use of variants is correlated by the Obligatory Contour Principle (OCP) and by morphosyntactic, semantic and discursive-cognitive factors, with special attention to the reference of the pronoun. Results confirm the hypothesis of cliticization of the reduced variant, but reveal a counterargument for the direct correlation between \"phonetic erosion\" and \"semantic abstraction\", which has been claimed in the literature on grammaticalization
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A moralidade da igualdade / The Morality of EqualityLucas Cardoso Petroni 31 July 2017 (has links)
A pesquisa tem como objetivo geral defender uma interpretação específica do valor da igualdade. Contra teorias que não reconhecem a igualdade como um valor moral intrínseco - como as teorias libertarianas, instrumentalistas e suficientaristas da justiça -, e contra a visão distributivista da igualdade - encontrada, por exemplo, no chamado igualitarismo de fortuna - a tese formula e avalia com base em argumentos normativos uma interpretação relacional do valor da igualdade denominada de igualitarismo social. A especificidade do igualitarismo social encontra-se em seu fundamento: um ideal de respeito mútuo responsável por governar as relações interpessoais entre pessoas livres e iguais. Ao defender a plausibilidade de concepções relacionais de igualdade, espera-se demonstrar que a igualdade social é capaz fornecer uma base (i) coerente, (ii) moralmente relevante, e (iii) distributivamente determinada para a justiça igualitária. Para isso, a tese argumenta, em primeiro lugar, que o uso da coerção coletiva entre iguais em autoridade demanda uma forma especifica de justificação intrapessoal uma atitude que denominarei de respeito deliberativo. Com base na noção de respeito deliberativo é possível ressaltar a existência de um tipo determinado de desrespeito igualitário, qual seja: o desrespeito performativo na reivindicação de direitos. A ideia de respeito deliberativo pode ser formulada com base nas contribuições filosóficas recentes de uma moralidade de segunda de pessoa, tal como formulada por Stephen Darwall, isto é, como um tipo de justificação normativa fundada na responsabilização mútua entre agentes morais. Finalmente, a tese argumenta que o igualitarismo social é compatível com princípios gerais de justiça social. Dois desses princípios são apresentados e analisados: (i) o princípio de mínimo cívico e (ii) o princípio de participação na riqueza social. De um ponto de vista igualitário, atender às exigências de ambos os princípios deve ser compreendido como uma condição de necessidade para uma cidadania democrática justa. / The work holds that the value of equality is best understood in a determined way. Against nonegalitarian theories such as libertarian, instrumentalist and sufficentarian theories - on one side, and distributive-based theories such as the luck egalitarianism - on the other, the thesis offers and evaluate, based on normative arguments, a relational interpretation of egalitarianism to be called social egalitarianism. What makes social egalitarianism a distinctive type of theory is its normative foundation: an ideal of mutual respect responsible for governing the interpersonal relations between free and equal persons. The work intends to show that a relational interpretation of equality is able to provide the basis for a (i) coherent, (ii) morally relevant, and (iii) distributive determined ground for egalitarian theories of justice. In order to stablish all that, it shows, first, how the legitimate exercise of political coercion among equals in authority brings about a particular kind of interpersonal attitude, called deliberative respect. Next, it is argued that the notion of deliberative respect allows us to conceptualize a particular instance of disrespect among equals, namely, the performative disrespect against a right-holder, and showing why respectful relations among equals in authority should be framed in a secondperson standpoint morality a morality according to each people are mutually accountable to each other - as the idea has been developed by Stephen Darwall. Finally, the work argues for the conceptual compatibility between social egalitarianism, on one hand, and distributive principles of justice, on the other. Two principles of justice are considered: (i) the principle of the civic minimum and (ii) the principle of participation in social wealth. From an egalitarian standpoint, both principles are required in order to bring about a just democratic citizenship.
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O uso do Tu e do Você no português falado no MaranhãoAlves, Cibelle Corrêa Béliche January 2010 (has links)
ALVES, Cibelle Corrêa Béliche. O uso do tu e do você no português falado no Maranhão. 2010. 144f. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Universidade Federal do Ceará, Departamento de Letras Vernáculas, Programa de Pós-Graduação em Linguística, Fortaleza-CE, 2010. / Submitted by nazareno mesquita (nazagon36@yahoo.com.br) on 2012-07-02T15:43:09Z
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Previous issue date: 2010 / O objetivo deste trabalho é fazer uma “fotografia sociolinguística” do português falado no Maranhão no que concerne ao uso de tu e de você. Constituindo-se em um estudo de natureza geo-sociolinguística, ao aliar dois enfoques teóricos da variação regional – a dialetologia e a sociolinguística, a pesquisa verifica a relevância das variáveis sociais – naturalidade, faixa etária, sexo e escolaridade – e das variáveis linguísticas – concordância, tipo de referência e tipo de relato –, no comportamento dos falantes com relação ao uso das formas tu e você. O corpus da pesquisa, constituído a partir do banco de dados do Atlas Linguístico do Maranhão – Projeto ALiMA, é o resultado da aplicação de 28 entrevistas realizadas com informantes de ambos os sexos, agrupados em duas faixas etárias (18- 30 anos) e (50-65 anos), nos municípios de São Luís e Pinheiro (Mesorregião Norte), Bacabal e Tuntum (Mesorregião Centro) e Alto Parnaíba e Balsas (Mesorregião Sul). A análise dos dados revela que, estatisticamente, o você se mostra como a forma mais frequente no falar maranhense, ao apresentar percentual de 61.6% das ocorrências. A análise mostra ainda que a alternância de tu e você é condicionada pela idade do falante e pela localidade à qual pertence. O fator linguístico tipo de relato também tem forte atuação na seleção das formas investigadas. Já a variação diastrática atua no sentido de os mais escolarizados tenderem a usar o tu seguido da concordância verbal. O resultado está representado em cartas geolinguísticas de modo a dar uma visão geral de como essas formas estão distribuídas no falar maranhense. / Ce travail a comme objectif faire une “photographie sociolinguistique” du portugais parlé au Maranhão en ce qui concerne l’usage du tu et du você. Il s´agit d´une étude géosociolinguistique, liée à deux théories de la variation regionale – la dialectologie et la sociolinguistique. Cette recherche veut vérifier l’importance des variables sociales– localité, groupe d’âge, sexe et scolarité – et des variables linguistiques – concordance, type de référence et type de discours – dans le comportament des parlants par rapport à l’usage du tu et du você. Le corpus de la recherche, constitué d’après les données du Atlas Linguístique do Maranhão – Projet ALiMA, est le résultat de l’application de 28 interviews réalisées avec des informants des deux sexes et de deux groupes d’âge (18- 30 ans) et (50-65 ans), dans les villes de São Luís et Pinheiro (Région Nord), Bacabal et Tuntum (Région Centre), et Alto Parnaíba et Balsas (Région Sud). L’analyse des données révèle que, statistiquement, você est la forme la plus fréquente dans le dialecte maranhense, avec un pourcentage de 61.6% de l’échantillon total. L’analyse des données indique aussi que l’alternance du tu et du você est conditionnée par l’âge du parlant et par la localité où il habite. Le facteur linguistique type de discours est important aussi pour la sélection des formes en étude. Du point de vue de la variation diastratique, les sujets plus scolarisés manifestent une tendance à l’usage du tu avec la concordance verbale. Le résultat est représenté en cartes géo-linguistiques qui nous permettent une vision générale de comment ces formes sont distribuées dans le dialecte maranhense.
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