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Caracteristicas das mulheres, frequencia, complicações e custos do aborto : suas variações de acordo com a comercialização do misoprostol

Gabiatti, Jose Roberto Erbolato, 1956- 19 July 2018 (has links)
Orientador: Aarão Mendes Pinto Neto / Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciencias Medicas / Made available in DSpace on 2018-07-19T18:31:11Z (GMT). No. of bitstreams: 1 Gabiatti_JoseRobertoErbolato_M.pdf: 2068780 bytes, checksum: 2b89c6d52ba432886a16443f80932f81 (MD5) Previous issue date: 1994 / Resumo: Realizou-se um estudo retrospectivo das internações por aborto na Enfermaria de Ginecologia do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher da Universidade Estadual de Campinas, no período de janeiro de 1987 a dezembro de 1992. Analisaram-se as características sociodemográficas, tocoginecológicas e a utilização de métodos anticoncepcionais, bem como a classificação do aborto, a idade gestacional em que ocorreu, e a presença de complicações com ênfase em três períodos. O primeiro período relacionou-se com a introdução do Misoprostol no mercado, o segundo com sua divulgação como substância abortiva, e portanto com grande consumo, e o terceiro com a abrupta queda de consumo após as restrições legais impostas à sua comercialização. Os resultados encontrados apontaram que o perfil das pacientes constituiu-se de mulheres brancas, com menos de 35 anos, com união conjugal e que já haviam tido parto anteriormente. O percentual de complicações de aborto foi alto, sendo a infecciosa e a hemorrágica as mais freqüentes. O aborto classificado como provocado associou-se mais à complicação infecciosa, traumática e maior, porém o aborto espontâneo também associou-se a um elevado grau de complicações. Quando comparadas as características nos três períodos distintos, notou-se que, no período de maior consumo de Misoprostol, as interrupções de gestações foram mais precoces e ocorreram mais abortos classificados como provocados. Após as restrições legais à venda de Misoprostol, observou-se uma diminuição nas taxas de internação por aborto na Enfermaria de Ginecologia, porém com aumento das complicações. / Abstract: A retrospective study was done with the cases of abortion that required hospitalization in the Gynecology service, CAISM-UNICAMP. The period studied was from January 1987 through December 1992. Sociodemographic and gynecologic characyteristics, were analyzed in the use of contraceptive methods, abortion classification, gestational age, presence of complications and period of time that abortion occurred related to the presence of Misoprostol in the market. The periods were defined as: First - introduction of Misoprostol in the market; Second - knowlege of the population in its abortive characteristics and an intensive use, and Third - a decrease in its use due to legal restrictions to its commercialization. The results showed that most of the patients were white, younger than 35 years old, stable marital union and past obstetrical delivery. Abortion complication rate was high; infection and bleeding the most frequent. Induced abortion was mainly associated with infection, trauma and other major complications. When characteristics were compared between the three periods described above, we noted that the period associated with the use of Misoprostol was related to an earlier interruption of pregnancy and a higher rate of induced abortion. The third period, when Misoprostol commercialization was restricted, a decrease of inpatient treatment occured, although complications increased significantly. / Mestrado / Mestre em Tocoginecologia
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Aborto provocado e sua interface com a gravidez não planejada / Induced abortion and its relation with an unplanned pregnancy

Costa, Carolina Barbosa Jovino de Souza January 2012 (has links)
COSTA, Carolina Barbosa Jovino de Souza. Aborto provocado e sua interface com a gravidez não planejada. 2012. 74 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) - Universidade Federal do Ceará. Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem, Fortaleza, 2011. / Submitted by denise santos (denise.santos@ufc.br) on 2012-10-26T12:15:36Z No. of bitstreams: 1 2012_dis_cbjscosta.pdf: 2173137 bytes, checksum: 1ef88e4b24591517812d1058137a9a96 (MD5) / Approved for entry into archive by Erika Fernandes(erikaleitefernandes@gmail.com) on 2012-10-26T15:13:19Z (GMT) No. of bitstreams: 1 2012_dis_cbjscosta.pdf: 2173137 bytes, checksum: 1ef88e4b24591517812d1058137a9a96 (MD5) / Made available in DSpace on 2012-10-26T15:13:19Z (GMT). No. of bitstreams: 1 2012_dis_cbjscosta.pdf: 2173137 bytes, checksum: 1ef88e4b24591517812d1058137a9a96 (MD5) Previous issue date: 2012 / This is a research study with quantitative and transversal approach aiming to investigate the induction of abortion and its relationship with an unplanned pregnancy, in comparison with natural abortion. It also aimed to analyse the demographic, socioeconomic and reproductive aspects of both methods of abortion; verify the knowledge and use of contraceptive methods prior to the interrupted pregnancy through induced and natural abortion and know which methods are used for induced abortion and it motifs. The study took place at the District Hospital Gonzaga Mota in Barra do Ceará and General Hospital Dr. Cesar Cals (HGCC), from June until December of 2011. The population consisted of women in abortion and over 18 years of age who were being assisted at the hospitals during data collection. The interview followed a structured questionnaire that was previously tested. The study consisted in the end with 70 participants, being 33 (47,1%) women who induced abortion and 37 (52,9%) with natural abortion. The data were analysed with descriptive statistics and the comparison of the means of these variables and the type of abortion were done with the Student t test for independent data and with unequal variance (analysed with Levene’s test). It was compared only for induced abortion, the percentage of dichotomous variables with the z test for proportions. The association analysis between the type of abortion and the nominal variables were conducted with 2 and likelihood ratio. It was calculated the chance ratios (CR) with its respective IC95% between the type of abortion and these variables. It was considered as statistically significant, analysis with p<0,05. Amongst the demographic and socioeconomic variables, only the average number of people in the family presented association with the type of abortion (p= 0,042). Regarding reproductive variables and marital status, there was an association between planning of a pregnancy and abortion (p<0,001) (RC=2,4; IC95%: 1,7-3,3). This shows that an unplanned pregnancy was a risk factor for induced abortion. The average time of union with their partner was higher in women with natural abortion than in those with induced abortion (p= 0,041). It was shown that the male participation in the decision of an abortion is a risk factor for induced abortion (p= 0,002). Variables regarding information and access to contraceptive methods prior to the abortion were not significant to the type of abortion. There was an association between the use of AOC and type of abortion, being the use of AOC a protective factor to induced abortion (p= 0,040). The belief that a pregnancy would not occur with themselves was significant with the type of abortion (p= 0,003). Herbal teas and misoprostol were the most frequent methods mentioned by the women to induce an abortion, being their low economical situation, followed by an unstable relationship and unpreparedness to take care of a child the main reasons to render towards these methods. It was concluded that promoting effective methods of family planning, prioritizing poorer populations, with strategies that assures male participation represent means to reduce induced abortions. / Tratou-se de estudo com abordagem quantitativa, transversal, do tipo levantamento, que teve como objetivo geral investigar sobre a prática do aborto provocado e sua relação com a gravidez não planejada, comparativamente com o aborto espontâneo e como objetivos específicos analisar aspectos demográficos, socioeconômicos e reprodutivos comparativamente ao aborto provocado e espontâneo; verificar o conhecimento e a prática anticoncepcional prévia a gestação interrompida por aborto provocado e por aborto espontâneo e conhecer os meios utilizados na prática do aborto provocado e os motivos determinantes. Foi realizado no Hospital Distrital Gonzaga Mota da Barra do Ceará e no Hospital Geral Dr. Cesar Cals (HGCC), de junho a dezembro de 2011. A população correspondeu às mulheres em abortamento com idade maior ou igual a 18 anos atendidas nos respectivos hospitais no período da coleta de dados. A entrevista seguiu um formulário estruturado, que foi pré-testado. Finalizou-se o estudo com 70 participantes, sendo 33 (47,1%) mulheres que tiveram aborto provocado e 37 (52,9%) aborto espontâneo. Os dados receberam tratamento estatístico descritivo e as comparações das médias dessas variáveis e o tipo de aborto foram realizados por meio do teste t de Student para dados independentes e com variância desiguais (analisadas pelo teste de Levene). Compararam-se, somente para aborto provocado, as porcentagens das variáveis dicotômicas por meio do teste z para proporções. As análises de associações entre tipo de abortamento e as variáveis nominais foram realizadas por meio do 2 e de razão de verossimilhança. Calcularam-se as razões de chances (RC) com seus respectivos IC95% entre tipo de abortamento e essas variáveis. Consideraram-se como estatisticamente significantes as analises com p<0,05. Dentre as variáveis demográficas e socioeconômicas, somente a média do número de pessoas na família apresentou associação com o tipo de aborto (p= 0,042). Com relação às variáveis reprodutivas e condição de união, houve associação entre planejamento da gravidez e tipo de aborto (p<0,001) (RC=2,4; IC95%: 1,7-3,3). Isto evidencia que a gravidez não planejada foi um fator de risco para o aborto provocado. A média do tempo de união das que tiveram aborto espontâneo foi maior do que aquelas de aborto provocado (p= 0,041). Participação masculina na decisão pelo aborto mostrou-se como fator de risco para o aborto provocado (p=0,002). Nenhuma variável relacionada à informação e acesso ao MAC em uso prévio ao aborto foi significativa para o tipo de aborto. Houve associação entre uso de AOC e tipo de aborto, sendo o uso de AOC fator protetor ao aborto provocado (p=0,040). Pensamento mágico de acreditar que a gravidez não ocorreria consigo foi significante com o tipo de aborto (p=0,003). Chás e misoprostol foram os meios mais referidos pelas mulheres para provocar o aborto, sendo os motivos para provocá-lo a baixa condição financeira, seguida do relacionamento instável e do despreparo para cuidar da criança. Concluiu-se que promover ações efetivas de planejamento familiar, com prioridade para as populações mais carentes e com estratégias que garantam a participação masculina representam meios para reduzir o aborto provocado.
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Aborto e violência sexual : o contexto de vulnerabilidade entre mulheres jovens

Pilecco, Flávia Bulegon January 2010 (has links)
Introdução No Brasil, o aborto destaca-se como um grave problema de saúde pública, à medida que é amplamente praticado, muitas vezes de forma insegura, dentro de um cenário de clandestinidade. A ilegalidade do aborto perpetua as iniquidades socioeconômicas em que é praticado e faz com que sua real magnitude seja desconhecida e as consequências para a saúde das mulheres obscurecidas. Assim como o aborto, a coerção sexual é outra questão silenciada. Esta categoria permite compreender a violência sexual enquanto um processo que se traduz na restrição da liberdade sexual individual, mediante constrangimentos como pressão verbal, social, chantagens e uso de violência física. Objetivo Investigar a relação entre a prática do aborto e as experiências de coerção sexual entre mulheres jovens. Metodologia Os dados analisados são provenientes da pesquisa GRAVAD, estudo transversal com amostra probabilística estratificada, realizado através de entrevistas domiciliares com jovens de 18 a 24 anos, nas cidades do Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador. A amostra do presente estudo consiste em um conjunto de 870 entrevistas de mulheres jovens que declararam ter tido ao menos uma gravidez. Na análise estatística foi utilizada regressão de Poisson com variância robusta, incorporando-se a estrutura do delineamento e pesos amostrais. Resultados A maior prática do aborto mostrou-se associada ao relato de experiência de coerção sexual (RP 1,60; IC95% 1,04-2,44). O aborto encontrou-se ainda associado à maior escolaridade da jovem (RP 2,78; IC95% 1,77-4,36), ao maior número de parceiros sexuais (RP 2,21, IC95% 1,31-3,75), ao fato de não ter obtido as primeiras informações sobre relações sexuais com os pais (RP 1,90; IC95% 1,14-3,18) e a um maior número de gravidezes (RP 1,65; IC95% 1,40-1,94). A prevalência de coerção sexual entre mulheres jovens que tiveram ao menos uma gravidez encontrada neste estudo é de 22,8%. A prática do aborto é maior entre as jovens que declaram ter sofrido somente um evento de coerção sexual. As jovens cujas mães possuem maior escolaridade e que declararam mais de um evento de coerção tendem a não abortar. E embora seja pequena a parcela das jovens que relatou coerção praticada por desconhecidos, esta foi superior nas jovens que relataram aborto (13,9%) em comparação com as que não relataram (1,2%). Conclusão A associação entre o aborto e os determinantes socioculturais fica explícita na relação encontrada dessa prática com a declaração de ter sofrido coerção sexual uma vez na vida. Esse dado evidencia o quadro de vulnerabilidade de gênero no qual estas jovens estão inseridas onde a violência sexual aparece associada a outros fatores, como o recurso ao aborto, que denotam uma certa precariedade nas negociações em termos de sexualidade e reprodução. A falta de controle das condições em que têm relações sexuais, por parte das mulheres, aliada ao modelo cultural de dominação masculina ajuda a manter altas as taxas de gravidez não prevista e, consequentemente de abortos. / Introduction In Brazil, abortion stands out as a serious public health problem, as is widely practiced, often in unsafe, within an environment of secrecy. The illegality of abortion perpetuates the socioeconomic inequities that is practiced and makes its real magnitude is unknown and the consequences for the health of women obscured. Just as abortion, sexual coercion is another matter silenced. This category allows us to understand sexual violence as a process which results in restriction of individual sexual freedom, subject to constraints such as verbal pressure, social, blackmail and the use of physical violence. Objective To investigate the relationship between abortion and the experiences of sexual coercion among young women. Methodology The data analyzed came from the research GRAVAD, cross-sectional study with stratified random sample, obtained through household interviews with youths aged 18 to 24 years in the cities of Rio de Janeiro, Porto Alegre and Salvador. The sample of this study consists of a set of 870 interviews of young women who reported having had at least one pregnancy. The statistical analysis used Poisson regression with robust variance, incorporating the structure of the design and sample weights. Results Most abortion was associated with the reported experience of sexual coercion (PR=1.60, CI95% 1.04-2.44). Abortion is also found associated with higher education of the young (PR=2.78, CI95% 1.77-4.36), the largest number of sexual partners (PR=2.21, CI95% 1.31-3.75 ), the fact of not having obtained the first information about sex with parents (PR=1.90, CI95% 1.14-3.18) and a greater number of pregnancies (PR=1.65, CI95% 1.40 -1.94). The prevalence of sexual coercion among young women who had at least one pregnancy in this study is 22.8%. The practice of abortion is higher among people who claim to have suffered only one event of sexual coercion. Young women whose mothers have more education and who reported more than one event of coercion tend not to abort. And although a small allotment of people who reported coercion committed by strangers, this was higher in people who reported abortion (13.9%) compared with those not reported (1.2%). Conclusion The association between abortion and the sociocultural relationship is explicit in this practice found the statement to have suffered sexual coercion once in a lifetime. This shows the situation of vulnerability of its kind in which these young people are included where sexual violence is associated with other factors, such as abortion, which denote a certain precariousness in the negotiations in terms of sexuality and reproduction. The lack of control of the conditions in which they have sex, for women, combined with the cultural model of male domination helps to maintain high pregnancy rates not provided and therefore abortions.
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O mundo da vida de mulheres que induziram o aborto

Sell, Sandra Elisa January 2013 (has links)
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Florianópolis, 2013 / Made available in DSpace on 2013-12-05T23:19:14Z (GMT). No. of bitstreams: 1 317810.pdf: 1427778 bytes, checksum: a6acbe5f91393e3fb5d128cbc80ad569 (MD5) Previous issue date: 2013 / Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, com abordagem fenomenológica social, que teve como objetivo geral compreender o mundo da vida de mulheres que praticam ações para a indução do aborto, à luz do referencial teórico-filosófico e metodológico de Alfred Schutz. Para alcançar este objetivo, fez-se necessário apreender as ações praticadas por mulheres que induziram o aborto e os motivos que as levaram a praticá-las; construir o tipo vivido a partir de categorias concretas da ação social e proceder à análise compreensiva deste tipo, constituindo-se, desta maneira, os objetivos específicos. O estudo foi desenvolvido no cenário de uma maternidade pública do sul do Brasil, sendo a escolha do local justificada pela demanda de mulheres que são internadas diariamente para curetagem pós-abortamento. Os sujeitos significativos que compuseram o grupo social estudado foram 13 mulheres que tinham vivenciado a prática do aborto induzido. A obtenção das descrições experienciais foi realizada no período compreendido entre abril e junho de 2012 utilizando-se um roteiro-guia (Apêndice B) subdividido em duas partes: I - Levantamento das situações biográficas em que as mulheres se encontravam e II # Entrevista norteada pela seguinte questão: O que levou você a praticar ações que levam a indução do aborto? Conte-me sobre isso. Foram utilizados também o diário de campo e os prontuários como fontes complementares. Os encontros aconteceram à beira do leito, através de relacionamento face a face. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da maternidade onde ocorreu o estudo. O processo de análise foi desenvolvido com base nos postulados de Schutz, tendo como suporte as etapas preconizadas por Giorgi (1985). Foram percorridos os passos que possibilitaram a construção de categorias do concreto vivido, identificando os #motivos para# e os #motivos porque# na interpretação subjetiva dos sujeitos. Este método, possibilitou compreender o mundo da vida dos atores sociais estudados. O estudo resultou em três manuscritos. O primeiro consistiu em uma Revisão Integrativa de Literatura, que teve como objetivo identificar a contribuição das pesquisas desenvolvidas sobre o que motiva as mulheres a induzir o aborto e o significado desta experiência em suas vidas. O segundo objetivou apresentar algumas das principais ideias da Fenomenologia Sociológica de Alfred Schutz enquanto referencial teórico-filosófico para a pesquisa em enfermagem. E o terceiro, buscou responder aos objetivos do estudo propriamente ditos e apresenta os resultados. A análise das descrições experienciais dos sujeitos significativos do estudo, permitiu apreender as ações praticadas pelas mulheres para a indução do aborto, os motivos que as levaram a praticá-las, e o tipo vivido, a partir da interpretação das ações praticadas. Deste modo, o estudo revelou que essas mulheres ingerem medicamentos contraindicados para gestantes, usam repetidamente bebidas alcoólicas, ingerem infusões com gemada acrescida de vinho fervente, chás com ervas abortivas e canela, fazem uso de CytotecR oral e/ou intravaginal, saltam de uma banqueta com a intencionalidade de induzir o aborto em razão da rejeição da gravidez pelo companheiro, do medo da reação dos pais diante da gestação, ou por dificuldades financeiras, projetos de vida e limitação da prole. As categorias concretas do vivido se constituíram em: a prática de ações para a indução do aborto motivada pela falta de apoio do companheiro; pelo medo da reação dos pais; pelas dificuldades financeiras, projetos de vida e limitação da prole. Ao encontrar a intencionalidade por trás das ações praticadas pelo grupo social em estudo, foi possível descrever o tipo vivido #mulher que induz o aborto pelo desejo de resolver os conflitos gerados pela gestação não planejada desejada ou indesejada#. Identificou-se que suas ações são resultantes de fatores sedimentados em sua situação biográfica, da qual fazem parte toda a rede de relacionamentos sociais com as quais as mulheres precisam lidar, tentando resolver situações que se tornam relevantes em determinados momentos de suas existências. A decisão em se engajar em ações para a indução do aborto não é individual, mas sim, uma decisão social, na qual as mulheres são apenas um elemento do conjunto. Observou-se também, que vários fatores interferem nestas decisões, nas quais os padrões socioculturais têm influência marcante. Concorrem neste cenário: a desigualdade nas relações de gênero, o patriarcalismo, a educação formal, a religiosidade, enfim, os papéis sociais definidos pelo grupo interno. Ao compreender as mulheres que praticam ações para a indução do aborto, através dos significados que estas dão às suas ações, atos, decisões, relações, ou seja, suas vivências pôde-se compreender o mundo da vida destas mulheres. Em posse desses resultados, e diante do que foi possível apreender neste estudo, recomenda-se a inclusão desta temática nos planejamentos de educação nos diversos setores sociais, já que as evidências apontam a questão da indução do aborto para além de uma questão de saúde, ou de uma opção entre vida e morte da mãe ou do feto. Mostra-se então, como uma questão muito mais abrangente que suscita a (des)construção de modelos sociais que impulsionam à vulnerabilidade. Sugere-se outros estudos, que investiguem a problemática do aborto induzido trazendo para a cena as protagonistas do processo, abordando outros ângulos e novas perspectivas, favorecendo o conhecimento e compreensão das múltiplas dimensões que o compõem <br> / This qualitative study, with a social phenomenological approach, had the general aim of investigating the world of the life of women who undertake actions for inducing abortion, in the light of the philosophical-theoretical and methodological framework of Alfred Schutz. To achieve this objective, it was necessary to capture the actions taken by the women who induced abortion and the reasons which led them to do so; and to construct the type of experience lived through based on concrete categories of social action and to proceed to the comprehensive analysis of this type, constituting, in this way, the specific objectives. The study was carried out in the setting of a public maternity hospital in South Brazil, the choice of place being explained by the demand caused by women hospitalized daily for post-abortion curettage. The significant subjects who made up the social group studied were thirteen women who had experienced the practice of induced abortion. The experiential descriptions were obtained between April and June 2012, using a guide-script (Appendix B) subdivided in two parts: I # Surveying the women#s biographical situations and II # Interview guided by the following question: What led you to take actions which led to inducing the abortion? Tell me about it. Medical notes and field diaries were also used, as complementary sources. The meetings took place at the bedside, through face-to-face relationships. The research was approved by the Committee for Research involving Human Beings of the maternity hospital where the study took place. The process of analysis was developed based on Schutz#s postulates, with the stages proposed by Giorgi (1985) as support. The researchers followed the steps which made it possible to construct categories of the concrete events experienced, identifying the #reasons for# and the #reasons why# in the subjects# subjective interpretation. This method made to possible to disclose the world of the life of the social actors observed. The study resulted in three manuscripts. The first consisted of an integrative review of the literature, aiming to identify the contribution of the research carried out on what motivates women to induce abortion, and the meaning of this experience in their lives. The second aimed to present some of the principal ideas of Alfred Schutz#s Sociological Phenomenology as a theoretical-philosophical framework for nursing research. The third sought to respond to the study#s objectives themselves and present the results. The analysis of the study#s significant subjects# experiential descriptions allowed the capturing of the actions practised by the women to induce abortion, the reasons which led them to practise these, and the type experienced, based on the interpretation of the actions which were practised. Thus, the study revealed that these women ingest medications which are contra-indicated for pregnant women, repeatedly use alcoholic drinks, ingest infusions with egg yolk mix with boiling wine added to it, teas made from abortifacient herbs and cinnamon, use CytotecR (oral and/or intravaginal), or jump from a stool with the intention of inducing abortion because of rejection of the pregnancy by the partner, fear of parents# reaction to the pregnancy, or because of financial difficulties, life projects and limitation of number of offspring. The concrete categories of what is experienced are constituted of: #the undertaking of actions for inducing abortion motivated by lack of support from the partner; by fear of parents# reaction; and by financial difficulties, life projects and limiting the number of one#s offspring#. In finding the purpose behind the actions practised by the social group under study, it was possible to describe the type experienced: #the woman who induces abortion through a desire to resolve conflicts created by the unplanned pregnancy, whether wanted or unwanted#. It was identified that their actions result from factors situated in their biographical situations, which the entire network of social relationships which the woman needs to deal with are part of, trying to resolve situations which become relevant at specific points in her existence. The decision to engage in actions for inducing abortion is not individual but is a social decision, in which the women are only one element in a set. It was also observed that various factors influence these decisions, among which the socio-cultural standards have an important influence. Inequality in gender relationships, patriarchalism, formal education, religiosity, and social roles defined by the internal group all contribute to this scenario. In investigating the women who take actions for inducing abortion, through the meanings which they give to their actions, acts, decisions, relationships # that is, their experiences # it is possible to understand the world of the life of these women. With these results, and what was possible to learn in this study, it is recommended that this issue be included in educational plans in the different social sectors, considering that the evidence indicates that the issue of induction of abortion is more than just a question of health, or an option between the life and death of the mother or the fetus. It is therefore shown to be a much wider matter which supports the (de)construction of the social models which drive vulnerability. Further studies are suggested, investigating the issue of induced abortion, bringing the protagonists of the process into the picture, addressing other angles and new perspectives, with a view to increasing knowledge and understanding of the various dimensions which compose it.
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Aborto e violência sexual : o contexto de vulnerabilidade entre mulheres jovens

Pilecco, Flávia Bulegon January 2010 (has links)
Introdução No Brasil, o aborto destaca-se como um grave problema de saúde pública, à medida que é amplamente praticado, muitas vezes de forma insegura, dentro de um cenário de clandestinidade. A ilegalidade do aborto perpetua as iniquidades socioeconômicas em que é praticado e faz com que sua real magnitude seja desconhecida e as consequências para a saúde das mulheres obscurecidas. Assim como o aborto, a coerção sexual é outra questão silenciada. Esta categoria permite compreender a violência sexual enquanto um processo que se traduz na restrição da liberdade sexual individual, mediante constrangimentos como pressão verbal, social, chantagens e uso de violência física. Objetivo Investigar a relação entre a prática do aborto e as experiências de coerção sexual entre mulheres jovens. Metodologia Os dados analisados são provenientes da pesquisa GRAVAD, estudo transversal com amostra probabilística estratificada, realizado através de entrevistas domiciliares com jovens de 18 a 24 anos, nas cidades do Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador. A amostra do presente estudo consiste em um conjunto de 870 entrevistas de mulheres jovens que declararam ter tido ao menos uma gravidez. Na análise estatística foi utilizada regressão de Poisson com variância robusta, incorporando-se a estrutura do delineamento e pesos amostrais. Resultados A maior prática do aborto mostrou-se associada ao relato de experiência de coerção sexual (RP 1,60; IC95% 1,04-2,44). O aborto encontrou-se ainda associado à maior escolaridade da jovem (RP 2,78; IC95% 1,77-4,36), ao maior número de parceiros sexuais (RP 2,21, IC95% 1,31-3,75), ao fato de não ter obtido as primeiras informações sobre relações sexuais com os pais (RP 1,90; IC95% 1,14-3,18) e a um maior número de gravidezes (RP 1,65; IC95% 1,40-1,94). A prevalência de coerção sexual entre mulheres jovens que tiveram ao menos uma gravidez encontrada neste estudo é de 22,8%. A prática do aborto é maior entre as jovens que declaram ter sofrido somente um evento de coerção sexual. As jovens cujas mães possuem maior escolaridade e que declararam mais de um evento de coerção tendem a não abortar. E embora seja pequena a parcela das jovens que relatou coerção praticada por desconhecidos, esta foi superior nas jovens que relataram aborto (13,9%) em comparação com as que não relataram (1,2%). Conclusão A associação entre o aborto e os determinantes socioculturais fica explícita na relação encontrada dessa prática com a declaração de ter sofrido coerção sexual uma vez na vida. Esse dado evidencia o quadro de vulnerabilidade de gênero no qual estas jovens estão inseridas onde a violência sexual aparece associada a outros fatores, como o recurso ao aborto, que denotam uma certa precariedade nas negociações em termos de sexualidade e reprodução. A falta de controle das condições em que têm relações sexuais, por parte das mulheres, aliada ao modelo cultural de dominação masculina ajuda a manter altas as taxas de gravidez não prevista e, consequentemente de abortos. / Introduction In Brazil, abortion stands out as a serious public health problem, as is widely practiced, often in unsafe, within an environment of secrecy. The illegality of abortion perpetuates the socioeconomic inequities that is practiced and makes its real magnitude is unknown and the consequences for the health of women obscured. Just as abortion, sexual coercion is another matter silenced. This category allows us to understand sexual violence as a process which results in restriction of individual sexual freedom, subject to constraints such as verbal pressure, social, blackmail and the use of physical violence. Objective To investigate the relationship between abortion and the experiences of sexual coercion among young women. Methodology The data analyzed came from the research GRAVAD, cross-sectional study with stratified random sample, obtained through household interviews with youths aged 18 to 24 years in the cities of Rio de Janeiro, Porto Alegre and Salvador. The sample of this study consists of a set of 870 interviews of young women who reported having had at least one pregnancy. The statistical analysis used Poisson regression with robust variance, incorporating the structure of the design and sample weights. Results Most abortion was associated with the reported experience of sexual coercion (PR=1.60, CI95% 1.04-2.44). Abortion is also found associated with higher education of the young (PR=2.78, CI95% 1.77-4.36), the largest number of sexual partners (PR=2.21, CI95% 1.31-3.75 ), the fact of not having obtained the first information about sex with parents (PR=1.90, CI95% 1.14-3.18) and a greater number of pregnancies (PR=1.65, CI95% 1.40 -1.94). The prevalence of sexual coercion among young women who had at least one pregnancy in this study is 22.8%. The practice of abortion is higher among people who claim to have suffered only one event of sexual coercion. Young women whose mothers have more education and who reported more than one event of coercion tend not to abort. And although a small allotment of people who reported coercion committed by strangers, this was higher in people who reported abortion (13.9%) compared with those not reported (1.2%). Conclusion The association between abortion and the sociocultural relationship is explicit in this practice found the statement to have suffered sexual coercion once in a lifetime. This shows the situation of vulnerability of its kind in which these young people are included where sexual violence is associated with other factors, such as abortion, which denote a certain precariousness in the negotiations in terms of sexuality and reproduction. The lack of control of the conditions in which they have sex, for women, combined with the cultural model of male domination helps to maintain high pregnancy rates not provided and therefore abortions.
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Aborto e violência sexual : o contexto de vulnerabilidade entre mulheres jovens

Pilecco, Flávia Bulegon January 2010 (has links)
Introdução No Brasil, o aborto destaca-se como um grave problema de saúde pública, à medida que é amplamente praticado, muitas vezes de forma insegura, dentro de um cenário de clandestinidade. A ilegalidade do aborto perpetua as iniquidades socioeconômicas em que é praticado e faz com que sua real magnitude seja desconhecida e as consequências para a saúde das mulheres obscurecidas. Assim como o aborto, a coerção sexual é outra questão silenciada. Esta categoria permite compreender a violência sexual enquanto um processo que se traduz na restrição da liberdade sexual individual, mediante constrangimentos como pressão verbal, social, chantagens e uso de violência física. Objetivo Investigar a relação entre a prática do aborto e as experiências de coerção sexual entre mulheres jovens. Metodologia Os dados analisados são provenientes da pesquisa GRAVAD, estudo transversal com amostra probabilística estratificada, realizado através de entrevistas domiciliares com jovens de 18 a 24 anos, nas cidades do Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador. A amostra do presente estudo consiste em um conjunto de 870 entrevistas de mulheres jovens que declararam ter tido ao menos uma gravidez. Na análise estatística foi utilizada regressão de Poisson com variância robusta, incorporando-se a estrutura do delineamento e pesos amostrais. Resultados A maior prática do aborto mostrou-se associada ao relato de experiência de coerção sexual (RP 1,60; IC95% 1,04-2,44). O aborto encontrou-se ainda associado à maior escolaridade da jovem (RP 2,78; IC95% 1,77-4,36), ao maior número de parceiros sexuais (RP 2,21, IC95% 1,31-3,75), ao fato de não ter obtido as primeiras informações sobre relações sexuais com os pais (RP 1,90; IC95% 1,14-3,18) e a um maior número de gravidezes (RP 1,65; IC95% 1,40-1,94). A prevalência de coerção sexual entre mulheres jovens que tiveram ao menos uma gravidez encontrada neste estudo é de 22,8%. A prática do aborto é maior entre as jovens que declaram ter sofrido somente um evento de coerção sexual. As jovens cujas mães possuem maior escolaridade e que declararam mais de um evento de coerção tendem a não abortar. E embora seja pequena a parcela das jovens que relatou coerção praticada por desconhecidos, esta foi superior nas jovens que relataram aborto (13,9%) em comparação com as que não relataram (1,2%). Conclusão A associação entre o aborto e os determinantes socioculturais fica explícita na relação encontrada dessa prática com a declaração de ter sofrido coerção sexual uma vez na vida. Esse dado evidencia o quadro de vulnerabilidade de gênero no qual estas jovens estão inseridas onde a violência sexual aparece associada a outros fatores, como o recurso ao aborto, que denotam uma certa precariedade nas negociações em termos de sexualidade e reprodução. A falta de controle das condições em que têm relações sexuais, por parte das mulheres, aliada ao modelo cultural de dominação masculina ajuda a manter altas as taxas de gravidez não prevista e, consequentemente de abortos. / Introduction In Brazil, abortion stands out as a serious public health problem, as is widely practiced, often in unsafe, within an environment of secrecy. The illegality of abortion perpetuates the socioeconomic inequities that is practiced and makes its real magnitude is unknown and the consequences for the health of women obscured. Just as abortion, sexual coercion is another matter silenced. This category allows us to understand sexual violence as a process which results in restriction of individual sexual freedom, subject to constraints such as verbal pressure, social, blackmail and the use of physical violence. Objective To investigate the relationship between abortion and the experiences of sexual coercion among young women. Methodology The data analyzed came from the research GRAVAD, cross-sectional study with stratified random sample, obtained through household interviews with youths aged 18 to 24 years in the cities of Rio de Janeiro, Porto Alegre and Salvador. The sample of this study consists of a set of 870 interviews of young women who reported having had at least one pregnancy. The statistical analysis used Poisson regression with robust variance, incorporating the structure of the design and sample weights. Results Most abortion was associated with the reported experience of sexual coercion (PR=1.60, CI95% 1.04-2.44). Abortion is also found associated with higher education of the young (PR=2.78, CI95% 1.77-4.36), the largest number of sexual partners (PR=2.21, CI95% 1.31-3.75 ), the fact of not having obtained the first information about sex with parents (PR=1.90, CI95% 1.14-3.18) and a greater number of pregnancies (PR=1.65, CI95% 1.40 -1.94). The prevalence of sexual coercion among young women who had at least one pregnancy in this study is 22.8%. The practice of abortion is higher among people who claim to have suffered only one event of sexual coercion. Young women whose mothers have more education and who reported more than one event of coercion tend not to abort. And although a small allotment of people who reported coercion committed by strangers, this was higher in people who reported abortion (13.9%) compared with those not reported (1.2%). Conclusion The association between abortion and the sociocultural relationship is explicit in this practice found the statement to have suffered sexual coercion once in a lifetime. This shows the situation of vulnerability of its kind in which these young people are included where sexual violence is associated with other factors, such as abortion, which denote a certain precariousness in the negotiations in terms of sexuality and reproduction. The lack of control of the conditions in which they have sex, for women, combined with the cultural model of male domination helps to maintain high pregnancy rates not provided and therefore abortions.
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Fatores associados à interrupção voluntária da gestação : Induced abortion: the experience of men and women from Brazil / Induced abortion : the experience of men and women from Brazil

Dias, Tábata Regina Zumpano, 1981- 27 November 2018 (has links)
Orientador: Renato Passini Júnior / Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Médicas / Made available in DSpace on 2018-11-27T12:03:46Z (GMT). No. of bitstreams: 1 Dias_TabataReginaZumpano_M.pdf: 2287469 bytes, checksum: 960058f223b535a82e398b29d32d89ff (MD5) Previous issue date: 2012 / Resumo: Introdução: A interrupção voluntária da gravidez, proibida no Brasil, pode levar a situações de abortamento inseguro, que é reconhecidamente um grave problema de saúde pública. É necessário conhecer as circunstâncias envolvidas nesta situação para que seja possível compreender melhor o contexto em que as mulheres recorrem a um abortamento, bem como identificar subgrupos com necessidades especiais de atendimento pelos serviços de saúde. Objetivo: Avaliar alguns fatores sociodemográficos e epidemiológicos associados à interrupção voluntária da gestação. Sujeitos e métodos: Estudo descritivo analítico de corte transversal envolvendo o envio de um questionário estruturado e pré-testado a 15.800 funcionários de uma entidade pública do Estado de São Paulo. Os questionários preenchidos pelos participantes foram enviados de volta em envelope resposta pré-selado. Foram preenchidos 1660 questionários (11% de taxa de resposta), nos quais houve 296 gestações indesejadas e, destas, 165 terminaram em aborto induzido voluntário. Foram realizadas análises bivariada e multivariada por regressão de Poisson para estudar a associação entre a ocorrência de um aborto quando diante de uma gravidez indesejada com algumas características sociodemográficas selecionadas. Resultados: Um quinto dos participantes relatou vivenciar uma gravidez indesejada anterior, e 55,7% deles recorreram ao abortamento naquela ocasião. As maiores proporções de decisão e realização do abortamento foram encontradas entre os participantes do sexo masculino (62,1%), que tinham de 18 a 24 anos por ocasião da gravidez de sua parceira (62,3%), sem filhos (58,9%), não unidos (61,7%) e entre os respondentes com escolaridade superior (70,3%). A maioria das interrupções foi realizada por um médico e pouco mais de 10% dos participantes relataram ter feito uso do misoprostol. A maioria dos abortos (45%) realizou-se entre 1980 e 1989. Dentre os respondentes que referiram aborto realizado por médico, mais da metade (54%) ocorreram na mesma década (entre 1980 e 1989). Dentre aqueles que fizeram uso de misoprostol, 58% o fizeram entre 1990 e 1999. Os participantes relataram que 22,9% das mulheres que abortaram necessitaram de atendimento médico após o aborto e 16,6% foram internadas após recorrerem ao aborto. Conclusão: Na amostra estudada foi possível verificar que um de cada dois dos respondentes por ocasião de uma gravidez indesejada optou pelo abortamento. Chama atenção que as pessoas tiveram acesso a condições menos inseguras para interromper uma gestação indesejada, ainda que num contexto de ilegalidade dessa prática / Abstract: Introduction: Unsafe abortion is a serious public health problem in Brazil and other countries where it is considered a crime. It's necessary to understand the context of these abortions to approach the issue . Objective: To evaluate some sociodemographic and epidemiological factors associated with induced abortion. Method: Cross-sectional study. A self-responded questionnaire was sent to 15.800 employees of a public organization. 1660 questionnaires were completed. There were 296 unintended pregnancies and 165 induced abortions. Bivariate and multivariate Poisson regression analyses were performed to explore the association between the occurrence of abortion when faced an unintended pregnancy with some sociodemographic characteristics. Findings: One fifth of respondents reported an unintended pregnancy and 55.7% of those respondents resorted to abortion. The highest rates of abortion were found among male participants (62.1%) who were between 18 and 24-years-old at the time of pregnancy (62.3%), childless (58.9%), not united (61.7%) and with a college education (70.3%). Most of the respondent's abortions were performed by a doctor, and 17.8% of participants reported misoprostol use. Medical attention was necessary for 22.9% of these women after abortion and 16.6% were hospitalized. Most abortions (45%) took place between 1980 and 1989, and 54% of respondents who had abortions in this decade resorted to a doctor. Those who used misoprostol, 58% did between 1990 and 1999. Conclusion: In this sample we observed that half of respondents opted for abortion during an unintended pregnancy. It is noteworthy that people had access to fewer unsafe conditions for stopping an unintended pregnancy, even in the context of illegal practice / Mestrado / Saúde Materna e Perinatal / Mestra em Ciências da Saúde
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Aborto provocado em mulheres vivendo com HIV/Aids

Pilecco, Flávia Bulegon January 2014 (has links)
Introdução: A feminização da epidemia e o aumento da expectativa de vida, trouxeram à tona a discussão sobre decisões reprodutivas de mulheres vivendo com HIV/Aids, incluindo a prática de aborto. Objetivo: Investigar como a interrupção de gestações se insere na trajetória de vida de mulheres vivendo com HIV/Aids. Metodologia: Foi feita uma revisão da literatura buscando estudos que investigaram a ocorrência e fatores associados à prática de aborto induzido em mulheres vivendo com HIV/Aids. Em uma segunda parte da tese, foram analisados dados referentes a um estudo transversal, que pesquisou mulheres vivendo com HIV/Aids de 18 a 49 anos, em Porto Alegre, Brasil, divididas em dois grupos: mulheres vivendo com HIV/Aids e mulheres não vivendo com HIV/Aids, recrutadas em serviços públicos de saúde. A amostra final foi composta por 684 mulheres vivendo com HIV/Aids, que tiveram 2.039 gestações, e 639 mulheres não vivendo com HIV/Aids, com 1.539 gravidezes. A associação entre preditores e desfecho (aborto provocado) foi analisada por meio de um modelo logístico de Equações de Estimativas Generalizadas. A terceira e última parte analisou dados dessa mesma pesquisa, sobre mulheres que tiveram aborto após o diagnóstico de HIV. Resultados: A revisão da literatura indicou que mulheres vivendo com HIV/Aids têm maiores taxas de aborto induzido, embora essas taxas tenham diminuído depois da introdução do protocolo de prevenção da transmissão vertical. A análise dos dados sobre aborto entre mulheres vivendo com HIV/Aids indicou que 6,5% das gestações entre mulheres vivendo com HIV/Aids foram findadas em aborto, mesma situação de 2,9% das gestações entre mulheres não vivendo com HIV/Aids. Entre mulheres vivendo com HIV/Aids, 7,7% das gestações ocorridas antes do diagnóstico foram findadas em aborto induzido, mesma situação 4,0% daquelas ocorridas após o diagnóstico. Ser mais velha, ter maior escolaridade, maior número de parceiros ao longo da vida, ter filhos antes da gravidez índice e não estar vivendo com parceiro durante a gestação foram associados à mais frequente prática de aborto entre mulheres vivendo com HIV/Aids. Na análise da ocorrência de aborto pós-diagnóstico, foi encontrado que dentre as mulheres que tiveram aborto após o diagnóstico a declaração de violência foi recorrente e o uso consistente de contracepção e de preservativo foi baixo. A mediana de tempo entre o diagnóstico e o aborto foi de dois anos. Em metade dos abortos, a motivação foi a mulher estar vivendo com HIV, embora apenas três, de 10 mulheres que declararam essa motivação não tenham tido outros filhos após o diagnóstico. Conclusões: Mulheres vivendo com HIV/Aids têm maior risco de ter aborto induzido ao longo da vida do que mulheres não vivendo com HIV/Aids. Entretanto, apesar de o HIV impactar na decisão na decisão por abortar, a vulnerabilidade socioeconômica e a relação com o parceiro destacam-se como fatores frequentemente associados à prática de aborto. Esse achado é atestado tanto por estudos quanti quanto qualitativos e reforçados por nosso achado de que a maioria dos abortos ocorridos na trajetória dessas mulheres aconteceu antes do diagnóstico de HIV. Assim, as pesquisas com o intuito de investigar aborto entre mulheres vivendo com HIV/Aids devem considerar o contexto específico de cada gestação. Em termos de políticas públicas é fundamental o investimento na difusão e disponibilização de insumos para a dupla proteção, como forma de reduzir as gravidezes não previstas. / Background: The feminization of the epidemic and the increased life expectancy has brought up the discussion about reproductive decisions of women living with HIV/Aids, including the practice of induced abortion. Objective: To investigate how the interruption of pregnancies is inserted in the trajectory of life of women living with HIV/Aids. Methodology: Firstly, a systematic literature review was conducted in order to search for studies that investigate the occurrence and determinants of induced abortion among women living with HIV/Aids. Secondly, data from a cross-sectional study that surveyed women living and not living with HIV/Aids, from 18 to 49 years old, in Porto Alegre, Brazil, were analyzed. The final sample consisted of 684 women living with HIV/Aids, which had 2,039 pregnancies, and 639 women not living with HIV/Aids, with 1,539 pregnancies. The association between the predictors and the outcome (induced abortion) was analyzed by using generalized estimates equations. Finally data from the aforementioned study about women who had abortion after HIV diagnosis were analyzed. Results: The literature review indicated that women living with HIV/Aids have higher rates of induced abortion, although these rates have decreased after the introduction of the protocol to prevent mother-to-child transmission. The analysis of data on abortion among women living with HIV/Aids indicated that 6.5% of pregnancies among women living with HIV/Aids ended on abortion, same situation as 2.9% of pregnancies among women not living with HIV/Aids. Among women living with HIV/Aids, 7.7% of pregnancies that occurred before HIV diagnosis were voluntarily terminated, same situation as 4.0% of those that occurred after HIV diagnosis. To be older, to have higher education and higher number of partners throughout life, to have children before the index pregnancy and not to be living with a partner during pregnancy were associated with abortion among women living with HIV/Aids. In the analysis of the abortions that occurred after HIV diagnosis, the occurrence of violence and the inconsistent use of contraception and condoms were common in the life course of women who had abortions after the HIV diagnosis. The median time between HIV diagnosis and the induced abortion was two years. The motivation for the practice of abortion was the woman to be living with HIV in half of the cases of abortion, although only three of 10 women who reported this motivation have not had other children after HIV diagnosis. Conclusions: Women living with HIV/Aids are at greater risk of having induced abortion throughout life than women not living with HIV/Aids. However, although HIV impacts in the decision to terminate a pregnancy, socioeconomic vulnerability and marital context stand out as factors frequently associated with induced abortion. This finding is confirmed both by quantitative and qualitative studies and reinforced by our finding that the majority of abortions that occur in the trajectory of these women happens before HIV diagnosis. Therefore research developed with the objective of investigating abortion among women living with HIV/Aids should consider the specific context of each pregnancy. In terms of public policy, it is essential to invest in the dissemination and availability of dual protection in order to reduce unplanned pregnancies.
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Aborto inseguro: determinantes sociais e iniquidades em saúde em uma população vulnerável – Favela Inajar de Souza, São Paulo, SP, Brasil / Unsafe Abortion: social determinants and health inequities in a vulnerable population – Favela Inajar de Souza, São Paulo, SP, Brazil

Fusco, Carmen Linda Brasiliense [UNIFESP] 27 July 2011 (has links) (PDF)
Made available in DSpace on 2015-07-22T20:49:16Z (GMT). No. of bitstreams: 0 Previous issue date: 2011-07-27 / Após 17 anos da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), Cairo, 1994, a situação do Aborto Inseguro (AI), nela contemplado como um grave problema de Saúde Pública, permanece inalterada no Brasil. O aborto inseguro é a principal causa de mortalidade materna na América Latina e Caribe, região que possui a mais alta taxa de abortos inseguros, ilegais e clandestinos. Em torno de 21% das mortes maternas na região devem-se às complicações relacionadas ao aborto inseguro. Esta pesquisa foi sediada em uma comunidade da periferia da cidade de São Paulo: um estudo transversal que teve por objetivos estimar a prevalência de mulheres com aborto inseguro, bem como identificar as características sociodemográficas (CSD) a ele associadas, e sua morbidade. Foram entrevistadas todas as mulheres entre 15 e 54 anos residentes na comunidade (Censo). Na análise dos dados, após medidas de associação, foram efetuadas análises univariadas de Regressão Logística Multinomial (RLM) para as categorias AP (aborto provocado inseguro) e AE (aborto espontâneo) tendo como referência a categoria NA (sem aborto). As variáveis que mostraram associações com p<0,20 foram selecionadas para entrar em um modelo inicial de RLM Múltipla (RLMM) para identificação das variáveis que permaneceriam no modelo final, com estimação das Odds Ratio (IC=95% e p<0,05). Nos resultados, as CSD cujas variáveis categorizadas permaneceram nos 2 modelos finais da análise de RLMM foram: idade da 1ª relação sexual menor que 16 a, defasagem NV ≥ Ideal, número de parceiros no último ano anterior à pesquisa maior que dois, escolaridade < 4a, etnia negra/cor preta, estado civil “não casadas” e aceitação do aborto por falta de condições econômicas. Após os resultados obtidos, foi efetuado estudo que teve por finalidade analisar a influência exercida pelos determinantes sociais da saúde (DSS) na ocorrência do AI e CSD associadas e as iniquidades em saúde por eles geradas, tomado como desfecho de saúde principal o abortamento inseguro, com suas consequências e/ou complicações. São discutidas nessa análise as CSD cujas variáveis permaneceram nos resultados, além da renda per capita e alta morbidade, com uma abordagem voltada aos determinantes sociais da saúde (DSS), segundo conceito e modelo adotados pela WHO, e às iniquidades em saúde provocadas na população. Verificou-se que o AI e CSD associadas são influenciados pelos DSS descritos, gerando nessa população iniquidades em saúde de proporções diversas. / Seventeen years after the International Conference on Population and Development (ICPD), Cairo, 1994, the situation of Unsafe Abortion (UA), considered a serious public health issue by the time the conference was held, remains the same in Brazil. Unsafe abortion is the main cause of maternal death in Latin America and the Caribbean, a region containing the highest unsafe, illegal and clandestine abortion rate. Approximately 21% of maternal deaths in the region occur due to complications related to unsafe abortion. This research took place on a peripheral community in the city of Sao Paulo: a cross-sectional study with the objective of estimating the prevalence of women that undergo unsafe abortions as well as identifying the social demographic characteristics (SDC) associated with it and its mortality rate. Interviews were conducted with women ranging from 15 to 54 years of age living in the community (Census). In the data analysis, after applying measures of association, univariate analyses of Multinomial Logistic Regression (MLR) were conducted for the IA (unsafe induced abortion) and SA (spontaneous abortion) categories having as a reference the NA (no abortion) category. The variables that resulted in associations with p<0.20 were selected for a Multiple MLR (MMLR) initial model for identifying the variables that would remain in the final model, with estimated Odds Ratio (CI=95% and p<0.05). In the results, the SDC whose variables remained in the final models of the MMLR analysis were: age at first sexual intercourse (< 16 years), gap (LB ≥ IN), number of sex partners (> 2), low schooling (< 4 years), ethnicity/color (black), marital status (not married) and acceptance of abortion due to insufficient economic conditions. From the results obtained, a study was developed in order to analyze the influence made by social determinants of health (SDH) on the occurrence of UA and associated SDC and the health inequities generated by them, whereas the main outcome in terms of health is unsafe abortion, along with its consequences and/or complications. This analysis discusses the SDC whose variables remain in the results, in addition to the per capita income and high morbidity rate, under an approach aimed at social determinants of health (SDH) according to the WHO concept and model and health inequities inflicted on the population. It was verified that UA and associated SDC are influenced by the described SDH, thus causing health inequities on several levels. / TEDE / BV UNIFESP: Teses e dissertações
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Percepções femininas sobre a participação do parceiro das decisões reprodutivas e no aborto induzido / Perceptions femininas about the participation of the spouses of the decisions reproductive and in the abortion induced

Cuenca Chumpitaz, Violeta Angélica January 2003 (has links)
Made available in DSpace on 2012-09-06T01:12:07Z (GMT). No. of bitstreams: 2 license.txt: 1748 bytes, checksum: 8a4605be74aa9ea9d79846c1fba20a33 (MD5) 557.pdf: 1633097 bytes, checksum: 55290e9d3b82280ae3a9dd6a50207d55 (MD5) Previous issue date: 2003 / Trata-se de uma pesquisa qualitativa que teve como objetivo principal identificar a influência e participação do parceiro na decisão de abortar através das percepções e experiências de mulheres que referiram situações de aborto induzido e de relacionamentos estáveis com estes parceiros. Foram realizadas 16 entrevistas semiestruturadas com moradoras de duas favelas da zona norte do Rio de Janeiro, das quais analisamos 20 casos de abortos. Utilizamos a perspectiva relacional de gênero como categoria de análise.Incluímos como temas de análise: as representações de gênero, a contracepção e gravidez indesejada, a tomada da decisão de abortar e a participação masculina na decisão de abortar. Observamos que estas mulheres conciliam significados de uma ideologia de gênero tradicional com outra mais igualitária, principalmente em relação à identidade feminina e ao trabalho da mulher, o que denotaria um processo de transição de gênero. A gravidez indesejada foi construída a partir da visão e interação de ambos os parceiros e condicionada fortemente por fatores de contexto, entre eles, o desemprego. A participação masculina na decisão de abortar é variada (o parceiro se exclui, promove ou recusa o aborto); mas o desejo de não assumir a paternidade parece refletir as características da natureza e qualidade do relacionamento, assim como a situação do parceiro como trabalhador ou provedor da família.

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